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Emprego nos EUA cresce surpreendentemente e volta ao nível pré-pandemia

05/08/2022 12h39

O mercado de trabalho nos Estados Unidos cresceu solidamente em julho, mostrando uma força inesperada, já que o combate à inflação aumenta os temores de uma recessão. 

A taxa de desemprego e o número de vagas voltaram ao nível de fevereiro de 2020, pouco antes de a economia ser duramente atingida pela pandemia de covid-19. 

A taxa de desemprego caiu 0,1 ponto percentual, para 3,5%, retornando ao nível pré-pandemia de covid-19, que foi o mais baixo em 50 anos, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (5). 

Em julho, a maior economia do mundo criou 528.000 empregos, o dobro do esperado, enquanto a criação de empregos em maio e junho foi maior do que o anunciado, com 386.000 e 398.000 empregos, respectivamente, 28.000 após uma revisão para cima.

"O crescimento foi generalizado, liderado pela criação de empregos nos setores de lazer e hotelaria, serviços profissionais e empresariais e saúde", disse o Departamento do Trabalho. 

Os dados do mercado de trabalho impulsionaram o presidente Joe Biden alguns meses antes das eleições de meio de mandato. 

"É o resultado do meu plano econômico", disse Biden em comunicado após o relatório de empregos. "Há trabalho a ser feito, mas o relatório de empregos de hoje mostra que estamos fazendo um bom progresso", acrescentou. 

A saúde do mercado de trabalho está sendo observada de perto nos Estados Unidos, pois sua deterioração pode sinalizar a aproximação de uma recessão. 

- "Transição" -

A economia dos EUA, de fato, contraiu nos últimos dois trimestres. No entanto, vários economistas, assim como o governo Biden, garantem que não está em recessão. 

Eles destacam particularmente a força do emprego, já que os empregadores dos EUA enfrentam uma escassez de trabalhadores há meses.

A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, tentou preparar o terreno na quinta-feira para uma criação de empregos mais fraca do que antes. Durante sua entrevista coletiva diária, Pierre disse que a economia dos EUA está "em transição" para um crescimento menos forte, mas mais estável.

"E nesta transição", frisou, não se deve esperar mais o "recorde de postos de trabalho registados todos os meses, de cerca de 500.000 ou 600.000 postos de trabalho. (...) Esperamos estar mais próximos dos 150.000 postos de trabalho (criados)por mês. Seria, disse ela, "um sinal do sucesso dessa transição".

- Demissões -

No entanto, esta semana viu os primeiros sinais de uma desaceleração. O número de vagas caiu em junho, ficando abaixo de 11 milhões pela primeira vez em sete meses, segundo dados do Bureau of Statistics (BLS) divulgados na terça-feira. 

Mas as demissões continuaram a ser massivas. Os pedidos semanais de seguro-desemprego, um indicador do nível de demissões, começaram a subir novamente no final de julho, atingindo sua maior média de quatro semanas desde novembro. Enquanto isso, os pedidos de seguro-desemprego atingiram um recorde de baixa em março. 

Os empregadores hesitam em demitir trabalhadores devido à grave escassez de mão de obra. No total, 1,4 milhão de pessoas receberam auxílio-desemprego nos Estados Unidos em meados de julho. No mesmo mês do ano passado, foram 13 milhões. 

O Banco Central (Fed) elevou suas taxas para combater a alta dos preços, que atingiu 9,1% ao ano em junho, um recorde desde 1981. Como o crédito é mais caro, os consumidores compram menos, as empresas reduzem seu nível de investimento e a pressão sobre os preços é aliviada. Mas essa desaceleração voluntária da economia pode desencadear uma recessão.

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© Agence France-Presse