Tesla e marcas chinesas ganham destaque no Salão do Automóvel da Alemanha

A Tesla e as montadoras chinesas estão na linha de frente, diante das rivais europeias, no Salão do Automóvel de Munique (IAA), um dos maiores do mundo, que começa nesta segunda-feira (4) em um contexto de incerteza econômica.

O tradicional encontro do setor automobilístico europeu será inaugurado oficialmente na terça-feira (5) pelo chanceler alemão, Olaf Scholz. 

As montadoras aproveitarão a segunda-feira, dia dedicado à imprensa, para exibir novos modelos. Entre as empresas europeias, apenas as fabricantes alemãs Volkswagen, BMW e Mercedes terão uma presença importante.

A BMW apresentou no sábado o conceito "Neue Klasse" (Nova Classe), sua futura geração de seis automóveis elétricos que serão fabricados a partir de 2025. O objetivo é atender a demanda cada vez mais elevada, à medida que se aproxima o fim do prazo para o uso de motores de combustão na Europa, previsto para 2035. 

Do lado da França, o grupo Stellantis será representado apenas por sua marca alemã Opel, e o grupo Renault, apenas pela marca homônima, para apresentar seu novo modelo Scenic.

O evento será marcado por uma grande presença de marcas estrangeiras.

A americana Tesla retorna ao Salão após dez anos de ausência. A China também estará no evento para "iniciar o ataque à Europa", nas palavras de Ferdinand Dudenhöffer, especialista do Center for Automotive Research na Alemanha. 

Entre os expositores, 41% têm sede na China, com empresas como BYD, Leapmotor, Geely ou Dongfeng, que exibirão seus modelos. Os fabricantes chineses ameaçam os europeus não no nicho dos carros térmicos, mas no mercado estratégico dos modelos elétricos.

Sua vantagem é oferecer modelos a preços significativamente mais baixos, embora os concorrentes chineses "não consigam oferecer na Europa os mesmos preços que na China", disse o presidente da Volkswagen, Oliver Blume, nesta segunda, referindo-se aos custos alfandegários, ou de transporte. 

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O principal fabricante europeu não dá a batalha como perdida e garante que "continuaremos trabalhando arduamente nos nossos custos", acrescentou Blume.

A China sabe oferecer modelos elétricos a preços baixos. "A única coisa que não tem é credibilidade de marca", disse Eric Kirstetter, sócio da consultoria Roland Berger.

- Dificuldades na China e nos mercados tradicionais -

De modo paralelo, os produtores europeus enfrentam dificuldades na China.

"Todas as previsões antecipam que os grupos internacionais perderão uma parcela no mercado chinês para as marcas locais e a Tesla", disse Kirstetter à AFP. 

A Volkswagen representou apenas 3,1% do mercado de carros elétricos na China no ano passado, muito atrás das marcas locais BYD (18%) e SAIC (incluindo a Wuling) com 11,9% e da americana Tesla (8,7%). 

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Na quinta-feira, Blume descreveu como "crucial" para a Volkswagen "ter sucesso na transformação" para carros elétricos. Para isso, a gigante alemã planeja fortalecer sua estratégia "na China para a China", localizando no país asiático não apenas a produção, mas o design. 

"Isso nos permite reduzir em 30% o tempo para introduzir novos produtos", disse à AFP Ralf Brandstätter, membro do conselho-executivo da Volkswagen responsável pela China. 

Ao mesmo tempo, as montadoras europeias são pressionadas pela desaceleração econômica em seus mercados históricos. Apesar do aumento das vendas de automóveis na União Europeia (UE) nos últimos 12 meses, os números permanecem mais de 20% abaixo do nível registrado em 2019.

- Preocupações ambientais -

Assim como em 2021, o Salão de Munique será marcado por protestos ambientais. Logo cedo nesta segunda, véspera da presença do chefe do governo alemão, Olaf Scholz, um grupo de ativistas da ONG Greenpeace instalaram carcaças de automóveis no lago em frente à entrada principal do centro de exposições. 

Entre as "ações de desobediência civil", está um "acampamento para uma revolução da mobilidade" em um parque da cidade.

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"A indústria automobilística continua apostando em muitos automóveis e muito grandes e está afundando o planeta com este modelo econômico", disse à AFP a porta-voz da ONG, Marissa Reiserer.

Os organizadores esperam 700.000 visitantes no evento, ante 410.000 em 2021. Este ano, o Salão mudou de nome para IAA Mobility e foi transferido para Munique, após décadas em Frankfurt.

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© Agence France-Presse

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