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Vaticano corre risco de entrar em "default", diz livro

20.abr.2019 - Fiéis acompanham missa durante a Vigília de Páscoa comandada pelo papa Francisco na Basílica de São Pedro - Remo Casilli/Reuters
20.abr.2019 - Fiéis acompanham missa durante a Vigília de Páscoa comandada pelo papa Francisco na Basílica de São Pedro Imagem: Remo Casilli/Reuters

Em Roma

21/10/2019 12h24

Um novo livro lançado nesta segunda-feira pelo jornalista italiano Gianluigi Nuzzi afirma que o Vaticano corre risco de entrar em "default", ou seja, de não conseguir mais arcar com suas obrigações financeiras.

Nuzzi já é autor de "Via Crucis", volume que relata a guerra do papa Francisco contra os dirigentes que comandaram as finanças da Santa Sé antes de sua chegada ao poder, e o novo livro, chamado "Giudizio Universale" ("Juízo Universal", em tradução livre), apresenta os resultados de uma força-tarefa instituída pelo pontífice para examinar as contas da Igreja.

Segundo Nuzzi, o déficit do Vaticano atingiu "níveis preocupantes" e "arrisca conduzi-lo ao default". O livro destaca a contínua queda nas doações que chegam à Santa Sé, em função de escândalos que abalaram a confiança dos fiéis nas últimas décadas.

De acordo com o jornalista, em 2018, quando o papa iniciou uma reforma financeira na Igreja, os registros da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), o "banco central" do Vaticano, revelaram uma contabilidade paralela com contas secretas de cardeais e laranjas que encobririam políticos e empreendedores próximos à Igreja.

Francisco teria pedido o fechamento de todas as contas suspeitas, mas teria ouvido dos inspetores que a dupla contabilidade no Vaticano era "praticamente ineliminável". Essas contas somariam quase 2 milhões de euros, algumas com até 200 mil euros depositados. O livro cita os cardeais Giovanni Lajolo, Eduardo Martínez Somalo, Paul Josef Cordes, William Baum (1926-2015) e Agostino Cacciavillan como donos de algumas dessas contas.

Nuzzi ainda revelou dados relativos ao Óbolo de São Pedro, o sistema de arrecadação de donativos da Igreja Católica, que não são mais divulgados. "A maior surpresa está na composição do Óbolo: as pessoas físicas são apenas o terceiro maior doador. Em primeiro lugar estão as dioceses, e em segundo, as fundações. Em 2014, dos 83 milhões de euros coletados, encontramos 43 milhões das dioceses, 19 das fundações e 15 das pessoas físicas", escreve o jornalista.

"As doações dos países mais generosos, que representam 80,2% das ofertas, estão se erodindo. Em 2014, houve sinal negativo nos EUA (-5,33%), na Itália (-21%), na Alemanha (-32%), na Espanha (-11,21%), na Venezuela (-38,9%) e no Reino Unido (-22,8%) em relação ao ano anterior", acrescenta.

O livro também denuncia a existência de um fundo à disposição do papa protegido por "segredo de Estado" e sobre o qual nem mesmo Francisco conheceria os detalhes. Esses recursos estariam sob gestão de um banco interno "pouco conhecido no mapa de poder no Vaticano" e que também cuidaria de tesouros e da contabilidade secreta do país.

Em entrevista à ANSA, Nuzzi disse que a situação do Vaticano "piorou muito" em relação ao pontificado de Bento 16. "Mas acredito que o Santo Padre está determinado a reverter essa hemorragia. Como? Os instrumentos a seu dispor são insuficientes. Acho que estamos diante de um colapso da gestão da cúria, os instrumentos são antiquados, ainda se faz transcrição manual dos números na era da inteligência artificial", acrescentou.

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