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Refugiados, economia e o futuro da União Europeia: o que está em jogo nas eleições na Alemanha neste domingo

Paul Kirby - Da BBC

Se as pesquisas estiverem corretas, Angela Merkel está a caminho de permanecer mais quatro anos no governo da Alemanha. Mas, quando os alemães votarem neste domingo, há muito mais em jogo do que apenas a vaga de chanceler de uma das maiores economias do mundo.

Vários fatores tornam essa eleição importante. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, seis partidos devem entrar no Parlamento, incluindo um grupo de nacionalistas de direita.

Este também é o primeiro pleito nacional desde que o governo de Merkel abriu as portas do país para um grande fluxo de imigrantes - desde 2015, quase 900 mil refugiados ingressaram no país.

A chanceler prometeu que a Alemanha conseguiria gerenciar bem a chegada de tantas pessoas, e o país demonstrou isso nos últimos dois anos. Mas, politicamente, o seu partido, União da Democracia Cristã (CDU), sofreu duras críticas pela iniciativa, em um momento em que Merkel busca seu quarto mandato no cargo.

Outras mudanças grandes estão acontecendo na política alemã. Ela está se fragmentando, e há uma chance real de que partidos bastante conservadores, como o Alternativa para a Alemanha (AfD), que é anti-imigração e anti-Islã, consigam vagas inéditas no Parlamento.

Até aqui, esse partido é representado apenas regionalmente. Alguns de seus candidatos já fizeram declarações consideradas extremistas.

Na última eleição, o Parlamento foi formado por quatro partidos - contando o CDU e seu braço da Baviera, o CSU (União Social Cristã), como um só. O próximo poderá ter inéditos seis partidos, de 34 que estão disputando a eleição.

Além das duas maiores agremiações - a CDU e o SPD (Partido Social Democrata) - quatro outros estão despontando nas pesquisas com 8% de intenção de votos: os Verdes, o socialista Die Linke (A esquerda), AfD e os Democratas Livres (FDP), que são liberais e a favor do livre mercado.

Com tudo isso, essa eleição torna-se importante também para o resto da Europa. A Alemanha tem um papel dominante na União Europeia por causa do tamanho da sua economia. E ela também é reponsável pela maior parte do orçamento do bloco.

A crise de imigração ainda é um assunto quente?

Tudo que é relacionado ao tema - asilo, integração e deportação de pedidos negados de asilo - dominou o debate na TV entre Angela Merkel e seu maior adversário, Martin Schulz, do SPD. "Será que realmente não há outras questões para serem discutidas além dos refugiados?", questionou o portal de notícias alemão Focus.

No entanto, a avaliação sobre o governo de Merkel não está sendo atingida pelo debate da imigração. Depois de inicialmente ter aberto as portas para os refugiados sírios, a Alemanha adotou uma linha mais dura, prometendo deportações depois que centenas de homens, principalmente do Norte da África, atacaram mulheres em Colônia no início de 2016.

Mesmo assim, os membros do partido de extrema-direita AfD viram suas intenções de voto nas pesquisas subirem ao explorarem a questão dos imigrantes e refugiados.

Existem outros temas importantes também: justiça social, benefícios e pobreza são chave, assim como segurança e educação. Por isso, Schulz tenta focar seu discurso na questão de salários justos, escolas melhores e aposentadoria.

Talvez esse dado seja surpreendente, mas os gastos da Alemanha com educação em 2014 foram menores do que a média europeia.

Vitória de Merkel já é 'certa'?

Não ainda, porque independente do que as pesquisas dizem, ainda há milhões de indecisos - cerca de um terço do eleitorado.

Mas, com o SPD ainda 14 pontos atrás do partido de Merkel nas pesquisas, é pouco provável que ele consiga atrair todos eles. O candidato social-democrata não conseguiu aumentos significativos nas intenções de voto com o debate na TV - e seu pedido por mais um debate não foi ouvido.

Parte do problema dele é que seu partido fez parte da coalizão de Merkel nos últimos quatro anos.

A última esperança de Schulz agora é a de uma virada repentina nas pesquisas.

Um dos motivos que podem fazer Merkel se sentir mais segura e confiante para a eleição é que a economia alemã está indo muito bem. O PIB está crescendo, e o governo arrecada mais do que gasta.

Sistema eleitoral

Alemães com mais de 18 anos já podem votar na eleição para o Parlamento em um sistema misto de voto majoritário e proporcional.

Toda vez que vão às urnas, os eleitores alemães têm de votar duas vezes: o primeiro voto, à esquerda da cédula, é chamado voto direto, em favor de um dos candidatos. Já o segundo voto é para o partido (voto de legenda).

O voto de mais peso é o de legenda, já que determina a distribuição dos assentos no Parlamento alemão, ou Bundestag. Já com o voto direto o eleitor pode ajudar um candidato a conquistar a maioria dos votos em um dos 299 distritos eleitorais da Alemanha. Isso pode levar o partido a conseguir assentos adicionais no Parlamento ao final da contagem dos votos.

Os candidatos têm que ser eleitos pelos representantes de seus partidos nos diversos Estados federais. Quem ganha mais votos encabeça a lista do partido e tem mais chances de chegar a ser membro do parlamento.

Os partidos precisam alcançar no mínimo 5% do total de votos para poder fazer parte do Parlamento ou ganhar as eleições por meio do voto "direto" em três distritos eleitorais.

Para chegar ao poder, um partido tem que obter a maioria dos assentos no Parlamento (50% + 1). Se nenhum dos partidos receber mais de 50% dos votos, eles têm que formar um governo de coalizão que lhes garanta a maioria no Bundestag.

Um total de 4.828 candidatos estão na disputa dessa eleição - 29% deles são mulheres. Somente o Partido Verde e o Die Linke têm metade de seus candidatos do sexo feminino. O candidato mais velho tem 89 anos e o mais novo tem 18.

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