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Mark Zuckerberg deve continuar à frente do Facebook? Ante críticas, ele diz que sim

Dave Lee - Repórter de Tecnologia da BBC nos EUA

  • Stephen Lam/Reuters

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou que apesar de toda a polêmica em torno de sua empresa, ele ainda é a melhor pessoa para estar à frente dela.

"Quando se constrói algo como o Facebook, que não tem precedentes no mundo, algumas coisas podem dar errado", afirmou na quarta-feira (4), em uma entrevista coletiva por telefone. "Acho que as pessoas deveriam estar nos cobrando se estamos aprendendo com nossos erros."

Além de presidente do Facebook, Zuckerberg preside o conselho de administração da empresa. Questionado se seu cargo está em discussão, ele respondeu: "Não que eu saiba!"

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Só a possibilidade de que seu cargo esteja sendo questionado é uma situação que poucos teriam previsto um mês atrás.

Mas notícias recentes sobre como a consultoria britânica Cambridge Analytica conseguiu dados privados de milhões de usuários por meio do Facebook - além das polêmicas sobre notícias falsas e interferência em campanhas eleitorais - provocou questionamentos sobre a habilidade de Zuckerberg de liderar uma empresa que cresceu para além de seu controle.

Na quarta (4), a empresa anunciou que a Cambridge Analytica obteve indevidamente dados de 87 milhões de usuários. Desses usuários, 443.117 são brasileiros, segundo a empresa.

O número total é superior à estimativa anterior, de 50 milhões de membros da rede social que tiveram suas informações pessoais coletadas. A maioria dos usuários está nos Estados Unidos. O Brasil é o oitavo país com maior número de usuários afetados. Também estão na lista as Filipinas (1,1 milhão), Indonésia (1 milhão), Reino Unido (1 milhão), México (789 mil), Canadá (622 mil), Índia (562 mil), Vietnã (427 mil) e Austrália (311 mil).

Na lista com países que tiveram usuários afetados, o Facebook informa que a empresa "não sabe precisamente que dados" foram usados pela consultoria e "exatamente quantas pessoas foram afetadas". "Usando a metodologia mais abrangente possível, essa é nossa melhor estimativa do maior número de usuários únicos que instalaram o aplicativo thisisyourdigitallife, assim como outros cujos dados podem ter sido compartilhados com o aplicativo por seus amigos."

Renúncia

O presidente do fundo de pensões de Nova York, Scott Stringer, afirmou nesta semana que Zuckerberg deveria deixar seu cargo. O fundo é dono de US$ 1 bilhão em ações da rede social.

"Eles estão em águas que nunca foram navegadas antes e não se comportaram de maneira que faça as pessoas se sentirem bem no Facebook e seguras sobre seus dados", disse Stringer à CNBC, rede de televisão americana.

Ele cobrou que Zuckerberg deixasse o cargo para permitir que o Facebook começasse um "segundo capítulo, de melhoria de sua reputação".

Para o jornalista britânico de economia Felix Salmon, Zuckerberg não só "lidera uma instituição que afeta quase todas as pessoas do mundo". "Graças à engenharia financeira da empresa, tem a maioria dos votos de acionistas e controla o conselho, então não responde a ninguém". "Pelo desenho da empresa, ele não pode ser demitido. Só pode renunciar. E é exatamente o que ele deveria fazer agora."

'Falta de empatia'

O que não ficou claro na entrevista (que foi por telefone) é de que forma e quanto Zuckerberg estava sendo orientado por assessores.

Pouco se aprendeu sobre como a empresa foi afetada pela publicidade negativa e o movimento "deleteFacebook" (que nos Estados Unidos incentivou pessoas a deletarem suas contas). Ele disse que não se observou "impacto significativo". E acrescentou: "Mas olha, a coisa não está boa!"

Para alguém que é frequentemente criticado por "falta de empatia", porém, ele teve um desempenho robusto na entrevista, que durou quase uma hora. Investidores certamente acharam isso - tanto que as ações subiram 3% ao fim da ligação.

Essa sessão com a imprensa foi como um treino. Em determinado momento, ele até incentivou que mais perguntas fossem feitas. A perspectiva na semana que vem é mais difícil: em frente às Câmeras, vai à capital dos Estados Unidos depoir no Congresso.

A dinâmica ao redor da liderança de Zuckerberg pode mudar dramaticamente nos próximos meses, com o desenrolar de investigações sobre como o Facebook utilizou os dados de seus usuários. Se a empresa for responsabilizada, a pressão sobre a equipe que comanda o Facebook pode aumentar.

Até agora, apesar de todos os pedidos de desculpas e reconhecimentos de que a empresa agiu mal, Zuckerberg disse a repórteres que ninguém na empresa foi demitido por causa do "fiasco" da Cambridge Analytica.

Ele disse que assumirá a reponsabilidade - e é provável que isso aconteça.

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