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Quanto do que se gasta na internet vai para a Amazon, empresa do homem mais rico do mundo?

Quanto dinheiro os consumidores online gastam na Amazon? Pode ser muito mais do que se imagina, pelo menos de acordo com o mais recente relatório da própria companhia, publicado no início do mês passado.

No último trimestre de 2017, a Amazon.com Inc registrou lucros de quase US$ 2 bilhões (o equivalente a R$ 6,6 bilhões), o maior de sua história.

Sua história como empresa de comércio eletrônico, serviços de computação e entretenimento começou apenas em 1994. Mas a companhia é hoje a segunda mais valiosa do mundo depois da Apple, tendo superado a Alphabet - detentora do Google.

Também é ela que abocanha a maior fatia do que os consumidores estão gastando no comércio online. Não à toa, de acordo com estimativas do Bloomberg Billionaires Index, o fundador da gigante americana, Jeff Bezos, é agora o homem mais rico do mundo, com um patrimônio líquido de US$ 132 bilhões (R$ 435,6 bilhões).

A pujança da companhia - e de seu fundador - é apontada como consequência direta do quão dominante ela se tornou nas vendas do varejo online. Apesar de a maioria de nós ainda comprar mais offline do que online, a participação da Amazon nos nossos gastos está aumentando.

Nos Estados Unidos, por exemplo, para cada dólar gasto em comércio eletrônico em 2017, 44 centavos foram para a empresa de Bezos.

Os Estados Unidos são o maior mercado da empresa. Lá, a Amazon também se aventurou no mundo dos negócios tradicionais, comprando, no ano passado, a rede de supermercados Whole Foods, por US$ 13,7 bilhões (R$ 45,21 bilhões).

Brasil

Embora esteja presente no mercado brasileiro desde 2012, a Amazon só ampliou sua oferta de produtos no Brasil em 2017, passando a vender, além de livros, produtos eletrônicos de terceiros.

Há notícias, no entanto, de que representantes da empresa estiveram no Brasil no início de março para se reunir com uma série de fabricantes e discutir planos de estocar e vender de aparelhos eletrônicos a perfumes no país.

Atualmente, a empresa americana ainda não ameaça os principais atores do mercado de varejo brasileiro. Apesar de registrar muito tráfego, as vendas da Amazon no Brasil em 2016 ficaram em apenas US$ 200 milhões (R$ 660 milhões) em um mercado estimado em US$ 13,4 bilhões (R$ 44,22 bilhões).

Europa

A Alemanha é o segundo maior mercado da Amazon no mundo. Lá, a Amazon embolsa cerca de 25 centavos de cada um euro gasto online. Entre 2014 e 2016, dobrou o número de produtos em seu site no país, para 229 milhões de itens.

Embora não exerça na Alemanha um controle tão grande quanto nos EUA, a empresa supera seus rivais alemães por ampla margem. Seu faturamento em 2016 (US$ 9,97 bilhões, ou o equivalente a R$ 32,9 bilhões) é três vezes maior do que o do seu concorrente mais próximo (OTTO).

No Reino Unido, estima-se que a Amazon abocanhe cerca de 27 centavos em cada uma libra gasta pelos britânicos.

Em seu mais recente relatório anual, a Amazon revelou que suas receitas no Reino Unido aumentaram 19%, para US$ 11,4 bilhões (R$ 37,62 bilhões). Uma pesquisa da GlobalData sugeriu que há mais gastos não relacionados a alimentos passando pelo site da Amazon no Reino Unido do que por qualquer outro varejista.

Na Espanha, a Amazon foi lançada em 2011 com oferta completa de produtos - ao contrário da maioria dos outros países, onde começou com apenas uma livraria online.

No muito fragmentado mercado de varejo na internet, na Espanha - com pelo menos nove ou dez grandes agentes nacionais e internacionais - a Amazon passou a deter uma participação de cerca de 8% a partir de 2016. Isso significa que pelo menos 8 centavos de cada euro gasto online no país entraram em seus cofres.

Ásia

Dos maiores mercados da Amazon, o Japão é o único onde a empresa não reina absoluta. Embora tenha ultrapassado a japonesa Rakuten como a maior plataforma de e-commerce, nesse mercado a gigante americana detém uma participação de mercado de "apenas" 20,%, meros 0,1% a mais a principal concorrente, de acordo com dados da Organização de Comércio Exterior do Japão.

Já na China, que detém o maior mercado de comércio eletrônico do mundo, a Amazon não tem muita força. Segundo o estudo mais recente realizado pelo iResearch Group, no ano passado, a participação da Amazon na China era de pouco mais de 1%, bem atrás dos líderes Ali Baba (56,7%) e JD (27,2%). A companhia nem sequer se posiciona entre as cinco maiores.

Na Índia, a Amazon lançou seu primeiro site de compras em 2013, com o objetivo de beneficiar-se de um crescimento tardio no varejo online - apesar de ter o segundo maior número de usuários de internet no mundo, a Índia apresenta baixas taxas de adesão no comércio eletrônico.

Um relatório de 2016 do banco de investimentos Morgan Stanley de 2016 afirmou que apenas 14% dos internautas indianos compravam online, um número seis vezes menor do que na China, por exemplo.

A mídia indiana informa que a estratégia da companhia americana no país deu certo: em 2016, a Amazon superou a maior varejista online da Índia, a Flikpart, em áreas urbanas.

África

Embora ofereça serviços de computação em nuvem na África do Sul, a Amazon não estreou formalmente no continente africano.

A ausência nesse mercado abriu uma janela para os competidores locais. Entre elasa, a Jumia, sediada na Nigéria. Criada em 2012, a empresa agora está presente em 14 países africanos e tornou-se, em 2016, a primeira "unicórnio" do continente - como são descritas as start-ups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão (R$ 3,3 bilhões).

Ainda assim, o mercado afriacano ainda é pequeno. Um estudo da Economist Intelligence Unit estimou que as vendas de e-commerce na África poderiam chegar a US$ 75 bilhões (R$ 247,5 bilhões) em 2025. Em comparação, o número para a Europa em 2016 foi superior a US$ 650 bilhões (R$ 2,14 trilhões).

Por outro lado, especialistas apontam para as altas taxas de adesões a telefones celulares como uma razão para ser otimista: mais africanos têm acesso a telefones celulares do que a água encanada.

Críticas

A Amazon faz sucesso na maioria dos mercados em que atua, mas isso não ocorre sem controvérsia. Uma das críticas é que seu modelo de negócios agressivo tem contribuído para o enfraquecimento e até o fechamento de empresas de rua.

As práticas trabalhistas da Amazon também foram denunciadas - e a empresa enfrenta greves na Alemanha e na Espanha.

Finalmente, suas práticas tributárias foram alvo de uma investigação da União Europeia. Em outubro passado, a empresa foi condenada a pagar US$ 293 milhões (R$ 966,9 milhões) em impostos atrasados, depois de a Comissão Europeia concluir que a companhia havia recebido vantagens fiscais injustas em Luxemburgo.

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