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Ministério Público pede que interventor do Rio explique continuidade de bloqueio de caminhoneiros a refinaria

Júlia Dias Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

No oitavo dia da greve de caminhoneiros no Brasil, o Ministério Público Federal emitiu um ofício pedindo esclarecimentos ao Gabinete de Intervenção Federal (GIF) no Rio diante da continuidade das restrições impostas por manifestantes à entrada e saída de caminhões-tanque na Refinaria de Duque de Caixas (Reduc), na Baixada Fluminense.

Após uma visita ao local na manhã desta segunda-feira, o procurador federal Julio José Araujo Junior solicitou informações ao general Walter Braga Netto, interventor na área da Segurança Pública no Rio, questionando, em ofício, quais medidas estão sendo tomadas para acabar com as obstruções que "ainda vêm sendo realizadas" no local, "mesmo após o anúncio de acordo" do presidente Michel Temer com entidades sindicais.

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O procurador afirma ter identificado "fatos que causaram estranheza" ao visitar o local, com manifestantes continuando a restringir o fluxo de caminhões-tanque apesar da presença de homens do Exército e da Polícia Rodoviária Federal.

"Constatou-se que as informações prestadas ou veiculadas na imprensa acerca do abastecimento não condizem com o funcionamento regular mínimo do serviço", diz o documento.

De acordo com Araujo Júnior, as informações veiculadas pelo general Braga Netto na noite de domingo, que afirmou que seus homens mantêm "pulso firme" contra os caminhoneiros grevistas, não correspondem à situação que observaram no local.

"Há um discurso de que haveria uma negociação, e que os pleitos estariam sendo atendidos. Mas quando estive lá de manhã, constatei uma situação de obstrução, com participação de uma carreta e vans", diz o procurador à BBC Brasil.

"Estamos cobrando informações no sentido de que haja uma atuação efetiva que garanta os serviços essenciais. Estamos falando de uma área estratégica. É preciso uma atuação firme e incisiva para garantir que todo o abastecimento seja feito", afirma.

Urgência

O ofício aponta para a forte presença de manifestantes pedindo "intervenção militar" e de motoristas de vans contribuindo para os bloqueios na entrada da Reduc, que atende mercados como Rio, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia - fornecendo óleo diesel, gasolina, querosene de aviação e outros produtos.

O documento foi enviado ao GIF em caráter de urgência na tarde desta segunda-feira, solicitando uma resposta dentro de 24 horas.

Procurado pela BBC Brasil, entretanto, o GIF respondeu que a coordenação das escoltas que vêm sendo organizadas para viabilizar o transporte de combustível em meio às paralisações cabe à Secretaria de Estado da Segurança (Seseg), que está subordinada ao interventor.

De acordo com a Seseg, o número de caminhões-tanque que saem escoltados da Reduc vem aumentando ao longo dos últimos dias. Desde a última segunda-feira, 257 escoltas foram realizadas, sendo 89 ao longo das últimas 24 horas.

O combustível está sendo distribuído a postos das zonas norte, oeste e Baixada Fluminense; a empresas de ônibus do Estado, às prefeituras de Niterói, Duque de Caxias, Angra dos Reis; a aeroportos, órgãos de saúde, forças de segurança e coleta de lixo, entre outros.

'Não acabou'

Durante a tarde de segunda-feira, manifestantes continuavam reunidos nas margens da avenida Washington Luiz, reforçando o bloqueio humano que se mantém desde a segunda-feira passada na entrada da Reduc.

Em meio à gritaria e ao buzinaço ouvidos na via, o motorista de caminhão frigorífico Carlos Eduardo Pires da Silva disse à BBC Brasil que, no movimento formado ali, não havia líderes, e que a manifestação seguia "pacífica", porém insatisfeita com os acordos traçados em Brasília.

"O pessoal continua resistindo bastante. O Exército e a polícia estão aqui, mas por enquanto estão neutros. Continuamos conseguindo evitar que os caminhões entrem. De madrugada saíram alguns porque tinha menos gente no bloqueio, não conseguimos segurar. Mas estamos impedindo", afirmou.

"Só saem caminhões para serviços essenciais, como hospitais, ambulâncias, serviço militar, como nos outros dias. Mas a manifestação continua. Não acabou, não."

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