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Huawei: por que a gigante chinesa virou alvo de vários países e teve executiva presa no Canadá

Ng Han Guan/AP Photo
Imagem: Ng Han Guan/AP Photo

06/12/2018 11h38

Meng Wanzhou, chefe de operações financeiras da Huawei, gigante chinesa de telecomunicações, foi presa em Vancouver, no Canadá, e deve ser extraditada para os Estados Unidos.

Os detalhes da prisão, efetuada em 1° de dezembro, não foram divulgados. Mas a empresa chinesa é alvo de investigações do governo americano sobre possíveis violações de sanções contra o Irã.

A China exigiu a libertação da executiva, alegando que a prisão foi possivelmente "uma violação de direitos humanos".

Filha do fundador da companhia, Wanzhou também é vice-presidente do conselho consultivo da empresa.

A Huawei informou que tem pouca informação sobre as acusações e "não tem conhecimento sobre nenhuma infração cometida por Meng Wanzhou".

A prisão acontece em um momento delicado para as relações entre os Estados Unidos e a China. Os dois países travam uma guerra comercial em que já foram impostos bilhões de dólares em tarifas sobre produtos.

O incidente tampouco ajudará na trégua de 90 dias negociada pelo presidente americano, Donald Trump, e seu colega chinês, Xi Jinping, durante a reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), em Buenos Aires.

E coincide ainda com a movimentação para restringir o uso da tecnologia da Huawei em países do Ocidente. Os Estados Unidos, a Austrália e a Nova Zelândia proibiram a empresa chinesa de fornecer a infraestrutura para a rede de internet móvel 5G.

O Reino Unido não impediu as empresas de usarem a tecnologia da Huawei, mas a British Telecom (BT), que domina a rede de telecomunicações do Reino Unido, declarou nesta semana que não utilizará os equipamentos da companhia na implantação do seu "núcleo" de infraestrutura 5G.

O que o Canadá disse sobre a prisão?

O Ministério da Justiça do Canadá confirmou a data e o local da prisão de Wanzhou. E acrescentou:

"Os Estados Unidos pediram a extradição (de Wanzhou), e uma audiência para fiança foi marcada para sexta-feira."

O departamento afirmou que não poderia dizer mais nada, uma vez que Wanzhou solicitou a proibição da divulgação de detalhes do caso e isso foi acatado pelos tribunais.

Um porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA, no distrito leste de Nova York - que teria feito as acusações, segundo a Huawei - se recusou a comentar.

O que pode estar por trás?

A imprensa americana informou que a Huawei está sendo investigada por possíveis violações das sanções dos EUA contra o Irã.

Uma reportagem do jornal New York Times afirma que os departamentos de comércio e tesouro dos Estados Unidos haviam intimado a empresa por suspeita de violação das sanções do país contra o Irã e a Coreia do Norte.

Legisladores americanos acusaram repetidas vezes a empresa de ser uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, argumentando que o governo chinês poderia usar sua tecnologia para espionagem.

Após a prisão, o senador americano Ben Sasse disse à agência de notícias Associated Press que a China estava agressivamente engajada em comprometer os interesses de segurança nacional dos EUA, "usando entidades do setor privado" com frequência.

"Os americanos agradecem a nossos parceiros canadenses por terem prendido a diretora financeira", acrescentou.

Como a Huawei reagiu?

A Huawei disse que Wanzhou, filha de Ren Zhengfei, fundador da companhia, foi detida durante a conexão de um voo em Vancouver.

Em comunicado, a empresa afirmou que cumpriu "todas as leis e regulamentações aplicáveis onde opera, inclusive as leis e regulamentos de controle de exportação e sanções da Organização das Nações Unidas (ONU), Estados Unidos e União Europeia".

"A empresa acredita que os sistemas jurídicos do Canadá e dos Estados Unidos vão chegar a uma conclusão justa."

E a China?

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse aos jornalistas que "prender sem dar qualquer motivo viola os direitos humanos de um indivíduo".

"Fizemos representações sérias ao Canadá e aos Estados Unidos, exigindo que ambas as partes esclareçam imediatamente as razões da detenção e a liberem imediatamente para proteger seus direitos legais."

A embaixada chinesa no Canadá afirmou, por sua vez, que autoridades canadenses, a pedido dos Estados Unidos, haviam prendido uma cidadã chinesa que "não violou nenhuma lei americana ou canadense".

"As autoridades chinesas apresentaram representações duras aos Estados Unidos e ao Canadá, e solicitaram que corrijam imediatamente as irregularidades e restabeleçam a liberdade individual de Meng Wanzhou", diz a nota.

Por que a Huawei é uma preocupação para o Ocidente?

A empresa chinesa é uma das maiores fornecedoras de equipamentos e serviços de telecomunicações do mundo - recentemente, passou a Apple para se tornar a segunda maior fabricante de smartphones depois da Samsung.

Alguns países ocidentais receiam que Pequim tenha acesso à rede móvel de quinta geração (5G) e a outras redes de comunicação por meio da Huawei e amplie sua capacidade de espionagem, embora a companhia insista que não há controle do governo.

As preocupações de segurança levaram a BT a descartar o uso da infraestrutura da Huawei na base da rede 5G que está sendo implantada no Reino Unido.

A Nova Zelândia proibiu a utilização de equipamentos da companhia por questões de segurança nacional, depois que a Austrália impôs um veto similar tanto à Huawei quanto à empresa de telecomunicações chinesa ZTE.

Os Estados Unidos entraram com uma série de processos judiciais contra empresas de tecnologia chinesas, acusadas de violações da segurança cibernética e das sanções impostas contra o Irã.

No início deste ano, o país proibiu empresas americanas de exportar para a ZTE, o que levou a companhia chinesa a suspender as atividades. Mas o governo americano retirou o bloqueio posteriormente, mediante o pagamento de multa e mudanças na diretoria da empresa.

Os Estados Unidos também restringiram as empresas americanas de venderem peças para a fabricante chinesa de chips Fujian Jinhua.

Quais são as sanções contra o Irã?

O presidente Donald Trump restabeleceu no mês passado todas as sanções dos Estados Unidos contra o Irã, que estavam suspensas desde 2015, quando foi assinado o histórico acordo nuclear entre Teerã e as principais potências internacionais.

Trump se opôs ferozmente ao acordo, que impõe restrições ao programa nuclear do Irã, em troca da retirada de várias sanções contra a economia do país.

A reintrodução das sanções teve impacto nas exportações de petróleo, no transporte marítimo e na rede bancária do país - ou seja, atingiu em cheio o núcleo da economia iraniana.

Embora haja isenções, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, disse que os EUA vão atacar "agressivamente" qualquer empresa ou organização que "se esquive das sanções".

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