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'Anos dourados' de fusões e aquisições levam compradores endinheirados a buscar presas na Europa

Manuel Baigorri e Aaron Kirchfeld

29/06/2015 14h14

(Bloomberg) - A Europa voltou a entrar na moda como destino preferido dos compradores estrangeiros.

O volume de transações que envolvem um alvo europeu chegou a US$ 134,2 bilhões no primeiro semestre do ano, um aumento de 57 por cento em relação ao ano anterior, e este deve ser o ano mais ativo em pelo menos uma década, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A maior transação foi a aquisição da unidade britânica da Telefónica SA pela Hutchison Whampoa Ltd., por 10,3 bilhões de libras esterlinas (US$ 16,2 bilhões), que criou a maior provedora de serviços de telefonia celular do Reino Unido pelo número de clientes. É possível que esse número seja ultrapassado se a empresa americana de sementes Monsanto Co. tiver sucesso na caça da rival suíça Syngenta AG, que no mês passado recusou uma oferta de aquisição de US$ 45 bilhões.

Empresas de fora da Europa estão buscando com entusiasmo transações na região, já que os executivos têm mais confiança na sua recuperação econômica e as avaliações corporativas estão mais baixas, segundo Hernán Cristerna, um dos diretores de fusões e aquisições mundiais do JPMorgan Chase Co. em Londres.

"Estamos nos anos dourados de fusões e aquisições", disse Cristerna, em uma entrevista coletiva, em Londres. "Neste ano, é particularmente evidente a maior atividade entrante na Europa, tanto da América do Norte quanto da Ásia".

Foram fechadas transações mundiais de quase US$ 1,8 trilhão neste ano, um crescimento de 15 por cento em relação ao ano passado e o primeiro semestre mais agitado desde 2007, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Ativos interessantes

O continente supera até mesmo os EUA como alvo dos compradores estrangeiros, apesar da volatilidade do mercado causada pela crise da dívida grega e da incerteza em relação ao momento escolhido para potenciais aumentos das taxas de juros. Seiscentas e cinco empresas norte-americanas foram adquiridas por compradores estrangeiros no primeiro semestre, pelo valor total de US$ 106,1 bilhões. A cifra representa uma queda de quase 11 por cento em relação ao mesmo período há um ano.

A maior transação entrante nos EUA também envolveu um comprador asiático. Em maio, a Avago Technologies Ltd., de Cingapura, decidiu adquirir a Broadcom Corp. e pagou US$ 37 bilhões pela fabricante de chips para celulares com sede em Irvine, Califórnia.

Empresas americanas e asiáticas com muito dinheiro estão procurando formas de se expandir fora de seus mercados locais, e a Europa é uma região onde elas podem encontrar ativos interessantes, segundo Paulo Pereira, sócio da Perella Weinberg Partners, em Londres. A disponibilidade de financiamento barato para os compradores, bem como donos mais dispostos a vender depois da recuperação do mercado acionário, também estão estimulando a atividade de fusões e aquisições, disse ele.

Possíveis desafios

A crescente atividade entrante de fusões e aquisições na Europa "é bastante verdadeira no Reino Unido, que é visto como uma porta de entrada para a região por muitas empresas do mundo inteiro, especialmente pelas companhias norte-americanas", disse Richard Sheppard, diretor de fusões e aquisições para o Reino Unido do Deutsche Bank AG, em entrevista a repórteres, em Londres.

Isso foi demonstrado em fevereiro, quando a Ball Corp., com sede em Broomfield, Colorado, decidiu adquirir a Rexam Plc, do Reino Unido, em uma transação de cerca de 5,5 bilhões de libras que criou a maior fabricante mundial de latas para alimentos e bebidas.

Ainda existem alguns cenários que poderiam afetar o resultado de algumas transações ou moderar o entusiasmo pelas fusões e aquisições, disse Pereira, da Perella. Entre eles estão a instabilidade do euro por causa dos acontecimentos na Grécia, as tensões geopolíticas no Oriente Médio ou na Rússia e os potenciais aumentos das taxas de juros, disse ele.

Apesar desses problemas e do fato de que os picos de fusões e aquisições não durem para sempre, o boom na atividade de transações provavelmente vai continuar sendo impulsionado por transações estratégicas que ajudem a obter sinergias, disse ele.

"O mercado forte de fusões e aquisições em que estamos atualmente vai continuar durante o segundo semestre e o começo do próximo ano, e a Europa continuará sendo atraente como mercado para buscar transações", disse Pereira.

Título em inglês: 'Golden Age' of M&A Has Cash-Rich Buyers Targeting Europe's Prey'

Para entrar em contato com os repórteres: Manuel Baigorri, em Londres, mbaigorri@bloomberg.net; Aaron Kirchfeld, em Londres, akirchfeld@bloomberg.net

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