Brasil dá meia-volta com juros e investidores buscam refúgio

David Biller e Mario Sergio Lima

(Bloomberg) -- No Brasil, os operadores do mercado estão começando a desistir da aposta na austeridade do governo.

Os investidores estão abandonando as apostas em taxas de juros mais altas devido aos sinais de que o Banco Central e o Ministério da Fazenda vão priorizar iniciativas para estimular o crescimento econômico, em vez de controlar a inflação, que ficou acima de 10% no ano passado.

O BC já derrubou as projeções dos economistas de que haveria um aumento dos juros ao não modificarem a taxa no dia 20 de janeiro.

A mais recente surpresa veio quando um membro da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff disse que é possível ter espaço para reduzir a taxa básica de juros já neste ano.

Isso ocorreu após o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, gerar temores de que o governo iria impulsionar aumentos da inflação com política de estímulos econômicos.

Ele anunciou planos para liberação de R$ 83 bilhões (US$ 21 bilhões) em empréstimos, grande parte por meio de bancos estatais, a fim de fortalecer o crescimento e destravar os mercados de crédito que estão praticamente fechados a empresas que buscam fundos.

"O governo agora está se concentrando no crescimento; o ajuste fiscal não é a principal prioridade, parece que a inflação não é a principal prioridade", disse Enestor dos Santos, principal economista do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria para Brasil e América Latina, em entrevista.

"É claro que há um impacto negativo sobre as expectativas de inflação e esse é o preço que o governo está pagando por essa reviravolta nas políticas econômicas".

Analistas consultados pelo Banco Central abandonaram as projeções de que a inflação iria desacelerar e chegar à meta de 4,5% até 2019. Agora, eles não acreditam que isso aconteceria nem em 2020, o último ano para o qual há projeções.

A pesquisa semanal publicada na segunda-feira também mostrou que, pela primeira vez em 2016, eles não preveem nenhum aumento dos juros neste ano.

Trata-se de uma reviravolta em relação há poucos meses, quando o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se comprometeu a controlar os gastos do governo para evitar mais rebaixamentos da nota de crédito, enquanto o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, prometia fazer o necessário para levar a taxa de inflação de volta aos limites da meta até o fim deste ano e em 4,5% até o ano que vem.

O Banco Central e o Ministério da Fazenda não responderam aos pedidos de comentário enviados por email. Barbosa disse durante o anúncio que o pacote de estímulo não prejudicaria a luta contra a inflação porque envolve recursos já presentes no sistema financeiro.

O Banco Central, nas atas de sua reunião de janeiro sobre política econômica, disse que há riscos de inflação e que a instituição adotará medidas para desacelerá-la e levá-la para a meta em 2017.

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