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O icônico Deux-Chevaux francês ganha uma nova vida elétrica em Paris

Angeline Benoit e Marie Mawad

A França do pós-guerra teve um caso com ele, dirigindo-o entre as cidades, pelas estradas do país e para a praia. O "deux-chevaux", ou "deudeuche" como os aficionados franceses apelidaram o icônico carro Citroen 2CV, se destacou nos filmes cômicos de polícia e ladrão de Louis de Funes e nos filmes em preto-e-branco como "La bride sur le cou", estrelado por Brigitte Bardot.

O carro, que se tornou um item de colecionador lançado para desfiles de antiguidades, agora está tendo um novo sopro de vida, trocando seu antigo motor a gasolina para um todo elétrico. O primeiro dos carros convertidos fez sua estreia em Paris no fim de dezembro. "Deudeuche é um carro mítico que é parte da cultura da França", disse Florent Dargnies, 36, presidente do 4 roues sous 1 parapluie - literalmente quatro rodas sob um guarda-chuva - que oferece visitas guiadas em Paris no veículo e se comprometeu com o projeto de conversão cinco anos atrás. "Nós queríamos torná-lo mais compatível com as regras de proteção do meio-ambiente".

Os modelos vintage de montagem retro, com motores elétricos para dar uma partida, livres de poluição, está se tornando cada vez mais popular à medida em que os governos apertam as normas ambientais para lutar contra a poluição do ar. Cuspidores de fumaça similares como o Trabant, da era comunista da Alemanha Leste, ou o carro esportivo R8 da Audi ganharam uma segunda vida da mesma forma.

O caso do 2CV é talvez o mais impressionante. A fabricação do francês rival do Volskwagen Fusca foi interrompida em julho de 1990, após 42 anos de produção.

Ovos quebrados

Famoso por seu teto solar conversível e chamativos azuis, amarelos e verdes, o "deux-chevaux" foi lançado na exposição de carros de Paris em 1948 como um modelo minimalista, acessível e comum para o homem francês de classe média - na França rural. Os primeiros anúncios de TV mostravam fazendeiros dirigindo o 2CV por um campo irregular, animados por não quebrarem nenhum ovo na cesta do porta-malas.

O carro agora é vendido por algo entre 2.000 e 20.000 euros (US$ 2.170 e US$ 21.700) dependendo da sua manutenção, atraindo entusiastas de carros e aqueles nostálgicos por dirigir o 2CV de seus avós. Colecionadores organizaram desfiles em cidades incluindo Nova York e Paris. Ele está sendo chamado de "carrinho de bebê de cabeça para baixo" nos Estados Unidos e de "o Jaguar dos estudantes" na Dinamarca ou "o pato" em outros lugares. A Citroen tuitou em agosto: "Você sabe o apelido do seu 2CV no seu país?".

A primeira edição do carro tinha apenas um farol na frente e uma única alavanca para rotação para dar a partida no motor. A velocidade máxima desse 2CV era de cerca de 60 km/h. A Citroen fabricou 3.868.634 unidades entre 1948 e 1990, segundo um porta-voz da empresa.

James Bond

O carro, um veículo improvável para o espião da ficção mais conhecido do mundo, ainda foi destaque em uma cena de perseguição em 1981 no filme do James Bond "Somente para seus olhos". Enquanto seu Lotus se autodestrói, Roger Moore pula para o carro da namorada e leva o 2CV amarelo brilhante em uma corrida de tombos e voos pela estrada afora.

Uma versão elétrica do pequeno carro quadrado desenhado como "4 roues sous 1 parapluie" foi aprovada pela Peugeot em 2014. O ministro francês do meio-ambiente a validou em dezembro do ano passado, disse Dargnies. Ele não quis dizer quanto a empresa investiu no projeto. Por enquanto, ele converteu um modelo de sua frota de 40 deudeuches - o mais recente deles foi fabricado em 1990 e o mais antigo saiu da fábrica em 1968. O custo da conversão é parcialmente compensado pela economia em combustível e manutenção, disse Dargnies.

Símbolo de Paris

A Citroen diz que não ter a intenção de produzir o 2CV novamente, nem mesmo os elétricos. Mas para Dargnies, a reforma pode se tornar vital porque a cidade de Paris planeja restringir em julho o tráfego de carros fabricados antes de 1997.

Seu uso seria autorizado somente nos fins de semana e à noite, um passo divulgado no ano passado como parte dos esforços da prefeita Anne Hidalgo para lutar contra a persistente poluição causada pelo trânsito na capital francesa. "Nós gostaríamos que Paris fosse capaz de converter toda a nossa frota", disse Dargnies. "Nós queremos fazer com que o 2CV limpo seja um símbolo de Paris".

 

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