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UE projeta inflação de 0,5 % em 2016 por crescimento menor

Ian Wishart

(Bloomberg) - A desaceleração das economias emergentes representa um grande risco à recuperação da zona do euro, disse a Comissão Europeia ao reduzir a projeção de crescimento da região de 19 países para 2016. A comissão também alertou que a inflação será muito mais lenta que o esperado.

A comissão projeta que o aumento dos preços ao consumidor será de apenas 0,5 por cento em média neste ano, metade do ritmo previsto em novembro e muito abaixo da meta do Banco Central Europeu, de pouco menos de 2 por cento. Ela reduziu a projeção de expansão econômica do bloco monetário de 1,8 por cento para 1,7 por cento e disse que as economias maiores, Alemanha, França e Itália, terão um desempenho pior que o previsto há apenas três meses.

"Com o suposto rumo dos preços da energia, a inflação deve continuar muito baixa no primeiro semestre deste ano", disse o comissário de Assuntos Econômicos da UE, Pierre Moscovici, a repórteres em Bruxelas na quinta-feira. "Ela deve aumentar um pouco no segundo semestre, quando o impacto das últimas quedas acentuadas dos preços do petróleo diminuir".

Enfrentando a desaceleração na China e a volatilidade mais perto de casa, associada ao terrorismo e à grande chegada na Europa de refugiados provenientes do Oriente Médio e da África em 2015, a zona do euro ainda está lutando para se recuperar quase seis anos depois de ter concedido o primeiro resgate à Grécia.

Estímulo do BCE

A piora na perspectiva de inflação poderia fazer com que o BCE entre em ação novamente. O presidente Mario Draghi disse que as autoridades monetárias vão analisar os estímulos em março porque o colapso dos preços do petróleo ameaça a estabilidade dos preços.

Entre os riscos à economia estão "reações políticas à migração e às ameaças à segurança, que poderiam aumentar a pressão sobre o sistema Schengen" de circulação sem passaporte na Europa, "assim como a incerteza em torno da maior implementação das tão necessárias reformas", disse Marco Buti, diretor-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros da Comissão Europeia, em um comunicado. A chegada de muitos imigrantes deu um impulso ao consumo público, disse ele.

A comissão da UE rebaixou sua previsão para 2016 referente às três maiores economias da zona do euro em 0,1 ponto percentual cada. A projeção de crescimento para 2017 foi mantida, em 1,9 por cento do PIB.

A comissão disse que o preço do petróleo vai subir depois do momento que tinha sido previsto em novembro, o que poderia "adiar a recuperação da inflação de seu nível atual, muito baixo, e aumentar a pressão sobre os países exportadores de commodities".

O Banco Central Europeu vai rever e poderia incrementar seus estímulos em março porque a queda do petróleo atrasa o retorno da inflação à meta do BCE, que a zona do euro não conseguiu alcançar em quase três anos.

"Há forças na economia mundial hoje que estão conspirando para que a inflação continue baixa", disse Draghi em um pronunciamento em Frankfurt na quinta-feira. "Essas forças poderiam fazer com que a inflação volte mais lentamente a nosso objetivo. Mas não há motivo para que elas levem a uma taxa de inflação permanentemente baixa".

Reforma trabalhista

"As preocupações com a economia chinesa provocaram dois acessos de volatilidade no mercado financeiro internacional nos últimos seis meses", disse Buti. "Outros mercados emergentes estão expostos - em diferentes graus - à vulnerabilidade financeira, intensificada pela volta do ciclo de taxa de juros nos EUA e pela valorização do dólar, a fraquezas estruturais, tensões geopolíticas e à queda acentuada nos preços de uma ampla gama de commodities".

O desemprego na zona do euro deve cair de patamares recorde para 10,5 por cento em 2016 e 10,2 por cento em 2017.

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