Investidores de Bill Gross não são os únicos retirando dinheiro da Pimco

John Gittelsohn

(Bloomberg) -- Quando Bill Gross deixou a Pacific Investment Management em 2014, a saída de investidores não surpreendeu. Mas agora os clientes estão desertando outro gestor famoso da Pimco ainda no cargo.

No ano passado, houve retirada somada de US$ 15,8 bilhões de dois fundos mútuos administrados por Rob Arnott -- Pimco All Asset e All Asset All Authority--, à medida que as taxas de retorno foram inferiores às da maioria de seus pares pelo terceiro ano seguido. Os dois fundos sofreram o maior volume de resgates na Pimco em 2015, sem contar o antigo fundo de Gross, chamado Pimco Total Return Bond Fund, que registrou US$ 54,6 bilhões em saques.

A estratégia de Arnott, 61, é comprar ativos rejeitados, apostando que ações orientadas ao crescimento ficarão em desvantagem e os ativos de mercados emergentes vão se recuperar. Esta abordagem contrária não foi bem-sucedida nos últimos anos, mas Arnott não está sozinho. Gestores de recursos voltados para valor, incluindo a Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, e a equipe que administra o Sequoia Fund, de US$ 7,2 bilhões, penaram no ano passado.

"É uma época muito difícil para investidores focados em valor", afirmou Arnott, que usava botas de couro de crocodilo do rio Nilo durante a entrevista concedida no escritório de sua firma de investimentos Research Affiliates, em Newport Beach, na Califórnia. "Agora que essas estratégias estão uma barganha, estamos observando saídas. É a natureza humana".

Os dois fundos combinados continuaram perdendo mais de US$ 1 bilhão em janeiro, apesar de acumularem desempenho superior ao das bolsas neste ano. O fundo All Asset teve queda de 1,4% até 4 de fevereiro, enquanto o All Asset All Authority recuou menos de 1%. Já o índice Standard Poor's 500 declinou mais de 6%.

Arnott, que foi um dos fundadores da Research Affiliates em 2002, se destacou como um dos pioneiros no que ele chama de indexação fundamental --uma abordagem elaborada para limitar riscos e superar índices de referência no longo prazo ao privilegiar segmentos desfavorecidos dos mercados de renda variável, renda fixa, câmbio e títulos atrelados à inflação.

Arnott desenvolveu para a Pimco em 2002 e 2003 dois fundos com propósito de serem usados como fonte de diversificação para investidores que mantêm a maior parte de seu capital em ações e bônus dos EUA. Eles investem em uma combinação de fundos mútuos da Pimco e fundos negociados em bolsa.

Os fundos de Arnott entregaram bom desempenho na maior parte do tempo, especialmente em ambientes de mercado difíceis. Em 2008, quando o S&P 500 caiu 37%, o All Asset perdeu 15% e o All Authority Fund recuou 6,9%. Nos cinco anos até 2012, os dois fundos superaram 97% e 99% de seus pares, respectivamente, de acordo com dados da Morningstar, sediada em Chicago.

Mas em 2013, quando o S&P 500 disparou 32%, alguns dos principais ativos escolhidos por Arnott caminharam na direção oposta.

Em 2015, os cotistas sacaram US$ 8 bilhões do All Asset All Authority, que tombou 12%, o pior desempenho desde sua criação, em 2003. O All Asset sofreu perda líquida de US$ 7,8 bilhões no ano passado, de acordo com estimativas da Bloomberg, e, em termos de desempenho, recuou 8,7%, a maior queda desde 2008.

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos