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Templeton aumenta aposta em títulos da dívida brasileira

Natasha Doff e Paula Sambo

(Bloomberg) -- Enquanto a maioria dos investidores fazia uma rápida retirada de ativos brasileiros das carteiras no último trimestre do ano passado, Michael Hasenstab, chefe de investimentos na Franklin Templeton, estava ocupado mais do que dobrando seus investimentos em dívidas do país em crise, para US$ 5,9 bilhões.

Até agora, neste ano, a aposta está valendo a pena. Os títulos denominados em reais retornaram 4,7% em dólares em 2016, contra uma perda média de 0,13% da dívida em moeda local dos mercados emergentes.

Os ganhos contrastam acentuadamente com a queda do ano passado, quando os títulos brasileiros despencaram 33% ao mesmo tempo em que houve uma desvalorização da moeda, a recessão se aprofundou e começou um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

A aposta de Hasenstab no Brasil está prosperando quatro meses depois de ele ter dito em uma publicação de blog que uma queda forte nos mercados emergentes estava criando "oportunidades que não surgiam há décadas". Ele não é o único gestor de fundos da Franklin Templeton com essa visão.

Na semana passada, Mark Mobius, chairman do grupo de mercados emergentes da empresa, disse durante um evento em São Paulo que ele estava aumentando os investimentos no Brasil na expectativa de uma recuperação.

Muitos investidores ainda são céticos, especialmente porque o Brasil está prestes a enfrentar sua mais profunda recessão de dois anos em mais de um século.

"É muito cedo para voltar ao jogo lá", disse Sean Newman, gerente de recursos da Invesco Advisers, que administra US$ 776 bilhões. Os ativos "vão ficar mais baratos".

Ele disse que o real ainda não se ajustou completamente a um nível que reflita o cenário econômico pessimista do Brasil. O real perdeu 0,5 por cento em 2016 depois de ter despencado 33 por cento no ano passado.

Lisa Gallegos, porta-voz da Templeton, disse que o gerente de recursos não estava disponível para fazer comentários sobre o Brasil.

Instabilidade

Hasenstab aumentou as participações em títulos brasileiros a partir de US$ 2,4 bilhões no fim de setembro, tornando o Brasil o terceiro maior país em participação, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Nos últimos três meses de 2015, ele entrou em novas posições em títulos denominados em reais com vencimento em janeiro de 2019 e 2025, sendo que ambos tinham caído para mínimas recordes em setembro. Dados sobre alterações nos ativos do fundo em 2016 ainda não estão disponíveis publicamente.

Hasenstab é conhecido por colocar recursos em mercados de títulos que a maioria dos investidores evita e disse em 6 de outubro que há vários países que são "diamantes brutos" em meio à atual turbulência dos mercados.

Em julho de 2011, ele chamou a atenção ao abocanhar títulos irlandeses em um momento em que a crise da dívida europeia se intensificava, ganhando bilhões quando o país recebeu um resgate internacional oito meses mais tarde.

Mas as apostas de Hasenstab nem sempre dão certo. Neste ano, seu investimento em títulos da Mongólia saiu pela culatra, com o país agitado pela instabilidade política.

A volatilidade que agita os mercados financeiros internacionais também prejudicou o Franklin Templeton Global Bond Fund, de Hasenstab. Abalado por resgates, o fundo perdeu 7% em 2016, registrando um desempenho 95% inferior ao de seus pares.

Os clientes retiraram cerca de US$ 12 bilhões do fundo nos últimos 12 meses.

Mesmo assim, o fundo superou mais de 80% por cento de seus pares nos últimos cinco anos, retornando em média 1,14% ao ano durante esse período.

"A volatilidade dará oportunidades durante um período de três a cinco anos e, se você tem esse horizonte longo e uma equipe para fazer uma investigação profunda, serão desvendadas oportunidades contrárias", disse Hasenstab em uma entrevista à Bloomberg News em novembro.

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