Falta de apoio do BNDES dificulta entrada em novos projetos, diz CCR

Daniela Milanese e Fabiola Moura

(Bloomberg) -- A escassez de recursos privados e a redução do apoio do BNDES aos projetos de infraestrutura podem dificultar a entrada da CCR nos novos leilões anunciados pelo governo, diz o presidente da empresa, Renato Vale.

"Não tem ninguém que te financie oito anos hoje. Nada, nada", disse o executivo em entrevista à Bloomberg.

A decisão de efetivamente investir em novas concessões dependerá da equação entre regras claras, taxa de retorno favorável e disponibilidade de crédito.

O diretor financeiro da CCR, Arthur Piotto Filho, defendeu que o BNDES amplie seu apoio aos projetos de infraestrutura. "Hoje, não existe financiamento privado no Brasil. Se o BNDES ficar firme na posição de que não vai apoiar de maneira mais decidida, a chance é muito pequena", disse.

Atualmente, o BNDES financia cerca de 40% do custo total dos projetos. Esse percentual teria de subir para 60%, segundo Piotto Filho.

O BNDES disse, em resposta por e-mail, estar trabalhando para ajustar sua política de forma a dar apoio aos investimentos, incluindo o setor de infraestrutura.

"Não vou a projeto nenhum com financiamento de 40%", disse Vale. "Se tiver de colocar R$ 3 bilhões de outorga na cabeça, não vamos nem olhar."

A CCR sentiu os efeitos do ambiente de incertezas do País ao realizar uma emissão de R$ 400 milhões em debêntures no fim do ano passado e pagar 124,1% do CDI. "Para o nosso padrão, está muito caro", disse Vale.

A operação Lava Jato, que envolve a Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa, controladoras da CCR, e a crise política geram um ambiente de insegurança no Brasil e paralisam investimentos.

"O que a gente está vivendo é o inferno perfeito, um momento de muita incerteza para o investidor", disse Vale. 

Aposta em aeroportos

A CCR pode mudar seu foco para a área de aeroportos. "Aeroporto é o negócio do futuro", disse Renato Vale. Mas isso não significa interesse pelos aeroportos regionais que serão leiloados pelo governo, já que não permitem a exposição internacional buscada pela empresa.

Ao invés disso, a companhia vai trabalhar para a aprovação do projeto do terceiro aeroporto em São Paulo, para o qual acabou de fechar a compra de terreno na área metropolitana, por R$ 387,4 milhões.

Caso consiga o aval para construir o aeroporto, a empresa pretende buscar sócios. Se a autorização não sair, Vale disse que pode usar o terreno para outros fins, como um modal logístico, empreendimento imobiliário e até mesmo vendê-lo. "Consideramos que o risco é baixo", disse Vale.

A CCR recebeu uma oferta considerada "interessante" por sua fatia de 34% na Sem Parar. A companhia comprou a participação há mais de dez anos por R$ 9 milhões, investimento agora avaliado em mais de R$ 3 bilhões.

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