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Bilionário que defende venda Tim amplia poder na Telecom Italia

Daniele Lepido

(Bloomberg) -- Vincent Bolloré, presidente do conselho da Vivendi, está ampliando seu domínio sobre a Telecom Italia.

O bilionário francês, que garantiu quatro assentos no conselho da Telecom Italia em dezembro, agora está preenchendo postos chave com seu pessoal e conduz uma agenda que incluiria a venda da unidade brasileira da operadora italiana, a Tim, uma participação avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo preços atuais de mercado.

A Vivendi já usou sua fatia de 20% das ações ordinárias para impedir plano de conversão de ações apoiado pelo presidente da Telecom Italia, Marco Patuano.

Agora, com seus indicados em comissões que supervisionam áreas como controle e risco, Bolloré está em melhor posição para influenciar a estratégia da operadora.

A Vivendi quer a venda da Tim Participações no Brasil para se concentrar mais na Itália, onde a Telecom Italia gera cerca de 70% de suas vendas, disseram pessoas familiarizadas com o assunto no ano passado.

"Bolloré está jogando de forma realmente inteligente", disse Andrea Giuricin, professor da Universidade de Milano- Bicocca, especialista em mídia e telecomunicações.

"Estar presente nas comissões mais importantes da empresa não é apenas questão de procedimento e permitirá à Vivendi avançar melhor com o que quer, por exemplo, impulsionar a empresa a vender sua unidade no Brasil".

Na segunda-feira, o conselho da Telecom Italia aprovou o aumento de sua comissão de controle e risco em um membro, para um total de seis, nomeando uma indicada da Vivendi, a ex-gerente da empresa de energia Areva, Félicité Herzog, disse a empresa italiana em um comunicado.

Além disso, a comissão de nomeação e remuneração da Telecom Italia indicou o CEO da Vivendi, Arnaud de Puyfontaine, e o diretor de operações da empresa, Stéphane Roussel, como membros após a renúncia de outro diretor francês, Jean-Paul Fitoussi.

"O fato de a Vivendi nomear executivos para as comissões internas da Telecom Italia não muda o processo de decisão e mostra o comprometimento deles com nossa empresa", disse o presidente do conselho da Telecom Italia, Giuseppe Recchi, a repórteres em Londres, onde a empresa realizou conferências com investidores e imprensa na terça-feira.

Um porta-voz da Vivendi preferiu não comentar a respeito das comissões e dos planos da empresa para a Telecom Italia.

No ano passado, a empresa que detinha o monopólio do setor de telefonia da Itália, ocupou posição central na briga por influência entre Bolloré, dono de uma fortuna de US$ 4,6 bilhões segundo o índice Bloomberg Billionaires, e o empresário francês Xavier Niel -- com sua fortuna de US$ 8,1 bilhões --, que comprou uma participação equivalente a 15,1% por meio de sua empresa pessoal de investimento.

Niel, fundador da operadora de banda larga Iliad, possui instrumentos financeiros sem direito a voto.

Maior operadora

A Telecom Italia é a maior operadora de telefonia celular e banda larga no país de 60 milhões de habitantes e também controla a Tim, a segunda maior operadora de telefonia celular do Brasil.

Patuano está tentando reanimar a empresa na Itália oferecendo serviços de banda larga mais lucrativos e se desfazendo de torres de telefonia celular com o objetivo de reduzir uma dívida líquida de 27,3 bilhões de euros.

Com quatro operadoras, o mercado de telefonia celular da Itália está entre os mais competitivos da Europa.

A Telecom Italia investirá cerca de 12 bilhões de euros em serviços de banda larga domésticos em um momento em que Patuano enfrenta dificuldades para recuperar uma das operadoras de telefonia mais endividadas da Europa.

Até 2018, a empresa investirá cerca de 3,6 bilhões de euros em fibra ótica na Itália, disse a empresa em um comunicado na terça-feira.

Trata- se de um aumento de cerca de 2 bilhões de euros em relação ao plano anterior e estenderá o alcance da fibra ótica dos atuais 75% para 84% da população.

A Telecom Italia confirmou seu plano de investimento anterior para o Brasil, de R$ 14 bilhões (US$ 3,5 bilhões).

Na terça-feira, a empresa divulgou resultados de 2015 que ficaram abaixo das estimativas dos analistas com a Tim envolvida pela turbulência econômica e pela desvalorização do real.

As vendas caíram 8,6%, para 19,7 bilhões de euros, disse a empresa em um comunicado na terça-feira.

Analistas previam 19,9 bilhões de euros, segundo a média das estimativas compiladas pela agência de notícias Bloomberg. A Telecom Italia terá 1,1 bilhão de euros em despesas extraordinárias ligadas a despesas de pessoal e a outras provisões.

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