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Expansão das baterias para carros aquece alta do lítio

David Stringer e Martin Ritchie

(Bloomberg) -- A única coisa mais quente que o deserto abrasador da Austrália Ocidental são as empresas mineradoras que se preparam para fornecer o lítio de que necessitam empresas como Nissan Motor e Tesla Motors para atender a expansão da demanda por carros elétricos.

O lítio oferece um raro destaque às mineradoras em meio à queda brusca dos preços das matérias-primas ligadas à indústria pesada, como o minério de ferro e o carvão. O material, também usado em tablets e na armazenagem de energia, promete ganhos com a mudança da China para um crescimento impulsionado pelo consumo e com os esforços globais para limitar a dependência em relação aos combustíveis fósseis.

Os preços do carbonato de lítio -- um produto químico industrial usado nas baterias de íon de lítio -- aumentaram 47 por cento em 2016 em relação à média do ano passado, segundo a Benchmark Mineral Intelligence, que tem sede em Londres. Duas das cinco ações de melhor desempenho da Austrália nos últimos 18 meses em um índice da Bloomberg formado por 2.035 empresas de capital aberto estão estabelecendo operações de materiais de lítio. De 2015 a 2024, o mercado para fornecimento de baterias de íon de lítio para veículos leves poderá totalizar US$ 221 bilhões, segundo a Navigant Consulting.

'Mudança de patamar'

"Está ocorrendo uma mudança de patamar no momento" com o aumento das vendas de carros elétricos e com os veículos híbridos passando para as baterias de íon de lítio, disse Michael Fotios, presidente do conselho executivo da General Mining, que buscará iniciar em julho as exportações do mineral espodumênio, fonte do lítio, do projeto Mt. Cattlin, na Austrália Ocidental. "O fornecimento de matéria-prima não acompanhou o ritmo e provavelmente não será capaz de atender a demanda projetada".

A General Mining, que tem sede em Perth e possui um valor de mercado de 89 milhões de dólares australianos (US$ 63 milhões), viu suas ações subirem mais de 1.000 por cento nas negociações em Sidney desde que anunciou um plano, em fevereiro de 2015, para retomar a produção da Mt. Cattlin, antes desativada. A Pilbara Minerals, que tem um valor de mercado de 286 milhões de dólares australianos, está acelerando o desenvolvimento de seu projeto Pilgangoora, na Austrália Ocidental, e planeja iniciar a produção em 2018. A empresa avançou cerca de 1.200 por cento desde que adquiriu a área, em julho de 2014.

A Greenbushes, maior mina de espodumênio do mundo, também está localizada na Austrália Ocidental e é de propriedade da joint venture Talison, mantida pela chinesa Chengdu Tianqi Industry Group e pela Albemarle, a maior produtora de lítio do mundo.

Os aumentos no preço do carbonato de lítio se estenderão até 2017 devido à baixa oferta, enquanto a demanda provavelmente aumentará 64 por cento em 2020 em relação aos níveis de 2015, projeta o Citigroup. Essa demanda crescente está intensificando uma corrida para entregar novas fontes de matérias-primas de lítio, gerando ganhos para as desenvolvedoras que preveem iniciar a produção antes do final da década.

A China se concentra no objetivo de ter cinco milhões de veículos elétricos nas ruas até 2020, segundo a iniciativa estratégica do presidente Xi Jinping de melhorar a indústria automotiva do país. A Nissan e a Renault disseram neste mês que as vendas de veículos movidos a bateria atingiram um recorde no ano passado, enquanto a Audi, pertencente à Volkswagen, planeja começar a fabricar seu primeiro SUV totalmente elétrico em 2018.

"A demanda de veículos, bicicletas elétricas, caminhões e ônibus será enorme e o mercado de armazenagem elétrica também será significativo", disse Neil Biddle, diretor-executivo da Pilbara Minerals, com sede em Perth, que possui o segundo maior depósito de espodumênio do mundo. Os preços do espodumênio subiram para cerca de US$ 480 a tonelada neste ano, contra US$ 380 a tonelada em 2014, segundo a Benchmark Mineral Intelligence.

 

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