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Petrobras inaugura exportações de gás de xisto nos EUA com compra da Cheniere

Sabrina Valle e Harry R. Weber

(Bloomberg) -- A Petrobras deverá receber o primeiro carregamento de gás de xisto a ser embarcado nos EUA, segundo uma pessoa familiarizada com o acordo.

O embarque de gás natural liquefeito (GNL) foi fechado na segunda-feira, segundo a fonte, que pediu anonimato porque a informação não é pública. O Cheniere foi o primeiro terminal a conseguir licença de exportação para o combustível, depois do boom de shale gas que levou os EUA de importador de gás a, agora, exportador.

"A importância é simbólica", disse Marco Tavares, presidente da consultoria Gas Energy, por telefone, do Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras. "Para a Petrobras trata-se apenas de mais um contrato normal de importação, mas de agora em diante os EUA serão um exportador relevante deste gás".

A Petrobras comprou cerca de 80 carregamentos de GNL no ano passado e deverá adquirir mais 50 em 2016, segundo a consultoria Gas Energy, com sede em Porto Alegre. O combustível líquido é transformado novamente em gás quando chega ao Brasil em terminais da Petrobras.

A Cheniere Energy disse que carregará o primeiro navio-tanque em seu terminal de Sabine Pass, na Louisiana, ate o início de março. A projeção é que a demanda será mais elevada na América do Sul durante a primavera, em parte devido à seca, que aumentou a dependência do Brasil em relação ao combustível usado em usinas de geração de energia. O Brasil ampliou as importações de GNL nos últimos anos após o contrato de fornecimento de gás pela Bolívia por meio de um gasoduto ter chegado ao limite do volume acordado bilateralmente.

"O maior comprador de GNL fora do inverno no Oceano Atlântico é o Brasil, em primeiro, e a Argentina, em segundo", disse Ted Michael, analista da provedora de dados de energia Genscape. "Os dois países compram GNL para geração elétrica, com demanda impulsionada pelos aparelhos de ar-condicionado".

A primeira exportação de GNL dos EUA se dará justamente em um momento de excesso do combustível no mercado global, situação que pressiona os preços. Outros projetos de exportação de gás deverão ter dificuldades para garantir financiamentos e contratos de longo prazo devido à queda internacional das commodities e às mudanças na demanda internacional, disse Daniel Yergin, vice-presidente do conselho da consultoria de energia IHS, em entrevista no dia 17 de fevereiro.

A Petrobras não comentou imediatamente a respeito do embarque. A Cheniere não respondeu a um e-mail e a uma mensagem de voz.

CEO substituído

Esse marco ocorrerá na ausência de Charif Souki, substituído como CEO da Cheniere em dezembro após divergências com o bilionário investidor-ativista Carl Icahn. Souki queria duplicar a capacidade de exportação de Sabine Pass nos próximos oito anos, ignorando a fragilidade dos mercados do petróleo e o fato de os analistas projetarem excesso de oferta no mercado global de GNL.

Esta é a primeira das chamadas cargas à vista (Mercado spot) da instalação, que começou a produzir gás liquefeito no ano passado. A BG Group, uma unidade da Royal Dutch Shell, com sede em Londres, ficará com o primeiro carregamento com contrato de longo prazo e fechou um acordo segundo o qual pagará cerca de US$ 723 milhões ao ano em capacidade produtiva quando mais unidades entrarem em operação, disse a Cheniere em um comunicado ao mercado no dia 19 de fevereiro.

Aqueles que se adiantaram, como a Cheniere, desfrutarão de uma vantagem sobre as exportadoras rivais de GNL que ainda estão passando pelo processo regulatório ou têm decisões finais de investimento a tomar, disse Yergin. Produtoras que estão por trás de mais de 20 propostas de terminais de exportação entraram com pedidos de autorização regulatória e, projeta ele, apenas meia dúzia sairá do papel.

A queda nos preços do petróleo bruto eliminou a maior parte do desconto em relação à oferta de GNL dos EUA, reduzindo seu apelo perante os consumidores do combustível. A concorrência por contratos na Europa e na Ásia, sendo que as empresas chinesas já estão comprometidas em receber mais do que precisam, também jogará contra as exportadoras dos EUA, disse Yergin.

 

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