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Para economistas, 'Brexit' pode derrubar libra a nível de 1985

Lukanyo Mnyanda, Joshua Robinson e Eshe Nelson

(Bloomberg) -- A saída da Grã Bretanha da União Europeia seria tão devastadora para a libra que 29 dos 34 economistas consultados pela Bloomberg em uma pesquisa preveem que a moeda cairia para US$ 1,35, ou ainda menos, uma semana após uma votação favorável à saída -- níveis vistos pela última vez em 1985.

Vinte e três dos economistas dizem que a libra não se recuperaria em relação a esse patamar nos três meses posteriores ao referendo, marcado para 23 de junho. Sete deles veem a moeda britânica caindo para menos de US$ 1,20 imediatamente após uma decisão pelo chamado "Brexit". E apenas um vê a moeda acima de US$ 1,40, nível mais forte que a mínima em quase sete anos, registrada nesta quarta-feira.

A libra já caiu mais de 2 por cento em relação a cada um de seus pares dos países do Grupo dos 10 em 2016 porque a recuperação econômica desigual e o declínio das perspectivas para o aumento da taxa de juros se somam ao temor pela saída do país do maior mercado comum do mundo.

A queda acelerou depois que o primeiro-ministro David Cameron anunciou a data da votação, no sábado, e todos, dos políticos às corporações, agora estão definindo seus pontos de vista, favoráveis e contrários à saída britânica.

"Uma decisão pelo 'Brexit' provocaria um duro impacto sobre a libra", disse Nick Kounis, chefe de pesquisa macro do ABN Amro Bank em Amsterdã. Ele é um dos participantes da pesquisa e vê a libra caindo para menos de US$ 1,20 até uma semana após a decisão pela saída.

A libra seria prejudicada pelas "implicações negativas para o crescimento e, portanto, para as taxas de juros, mas também pelas saídas de capital e pelas preocupações a respeito do financiamento do déficit em conta-corrente".

Libra e política

A libra já está gerando conflito político. Os pró-europeus citaram em seu material de campanha o alerta do Goldman Sachs de que a moeda poderá cair 20 por cento com o 'Brexit'. A libra sofreu a maior queda desde 2010 na segunda-feira depois que o prefeito de Londres, Boris Johnson, um dos políticos mais famosos do país, deu seu apoio à campanha pela saída, o que o coloca do lado oposto de Cameron, seu colega de partido.

O primeiro-ministro foi questionado por parlamentares na segunda-feira e indagado sobre se a queda da libra é um sinal da turbulência econômica que acompanharia uma decisão pela saída no referendo. E o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, foi atraído para o debate na terça-feira e reconheceu que a campanha do referendo está pressionando a libra.

O banco central responderia a uma decisão pela saída da UE na votação cortando as taxas de juros em relação à mínima recorde de 0,5 por cento, disse Enrique Díaz Álvarez, diretor de risco da Ebury Partners, corretora de Londres que liderou os rankings da Bloomberg de projeções euro-libra no segundo trimestre de 2015. Isso poderia acontecer já no dia posterior à votação, disse ele.

"O tema dos últimos anos tem sido as moedas dominadas pela postura relativa dos bancos centrais e claramente se o 'Brexit' realmente acontecer veremos uma resposta imediata do Banco da Inglaterra", disse Díaz Álvarez, que não participou da pesquisa. As autoridades "cortariam de volta para zero, removendo todas as chances de uma alta no futuro imediato".

A libra já está no nível mais baixo desde março de 2009, tendo chegado a US$ 1,3965 nesta quarta-feira. A moeda está se aproximando do menor valor em 14 meses, de 78,98 pence por euro, atingido em 11 de fevereiro, e está no menor nível em uma base ponderada pelo comércio desde março de 2014.

Chegar ao nível mais baixo em relação ao dólar desde 1985 significaria superar a mínima de 2009, de US$ 1,3503, e ver a moeda cair para níveis não vistos desde que a primeira-ministra Margaret Thatcher esmagou os sindicatos na greve dos mineiros da Grã-Bretanha e que Londres ardia com os distúrbios raciais -- e recebia a etapa britânica do show "Live Aid".

 

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