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'Brexit' triplicaria chance de recessão no Reino Unido

Emma Charlton e Joshua Robinson

(Bloomberg) -- Deseja outra recessão? Os economistas dizem que votar pela saída da União Europeia aumentaria drasticamente as chances de o Reino Unido seguir por esse caminho.

Enquanto os britânicos contemplam seu lugar no bloco de 28 países antes do referendo de junho, os participantes de uma pesquisa da Bloomberg disseram que a probabilidade de crise sobe para 40 por cento na eventualidade de uma decisão pela saída no plebiscito. O índice contrasta com o risco de apenas 13 por cento previsto na pesquisa mensal mais recente.

Com o debate sobre a UE cobrindo todo tipo de tópico, da imigração à perda de soberania e de acesso ao comércio, aqueles que fazem campanha para que a Grã-Bretanha permaneça argumentam que a saída ameaçaria os investimentos, os empregos e o crescimento. Apesar de a economia ter mais do que reconquistado o terreno perdido na recessão de 2008-2009, o esforçou levou quatro anos e incluiu um período no qual o desemprego atingiu o maior nível em 16 anos.

"Muitos efeitos da incerteza pesariam bastante sobre o crescimento", disse Chris Hare, economista da Investec em Londres, que anteriormente trabalhou no Banco da Inglaterra. "É bastante provável que vejamos volatilidade nos mercados financeiros, possivelmente uma restrição das condições de crédito do Reino Unido, um impacto na confiança empresarial e das famílias e todas essas coisas combinadas deverão pesar sobre a economia".

O primeiro-ministro David Cameron levará os britânicos às urnas no dia 23 de junho. Ele e outras pessoas que defendem a permanência no bloco dizem que a saída reduziria as oportunidades comerciais e diminuiria a importância de Londres como polo internacional para os negócios e as finanças. Aqueles que querem a saída dizem que o Reino Unido se sairia melhor se estivesse livre do poder da UE sobre a regulação dos negócios e da exigência para que aceite imigrantes europeus.

Debate tenso

Ainda não se sabe o que acontecerá no plebiscito. As últimas pesquisas se mostraram amplamente divergentes, com a YouGov, em 23 de fevereiro, dando ao lado da "saída" uma liderança de 1 ponto percentual, apenas um dia depois de uma pesquisa da ComRes colocar o lado da "permanência" 12 pontos à frente. A perspectiva de um dano autoinfligido à economia dá a Cameron uma possível arma contra os defensores do "Brexit", como o prefeito de Londres, Boris Johnson, membro do partido do primeiro-ministro, que se posicionou a favor da campanha pela "saída" no último fim de semana.

Na reunião de política monetária de fevereiro o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, e seus colegas da direção do banco central disseram que o referendo poderia ser um "risco negativo para os investimentos comerciais a curto prazo". Dados divulgados nesta quinta-feira mostraram que o investimento comercial teve a maior queda em quase dois anos no quarto trimestre de 2015.

O vice-presidente do Banco da Inglaterra, Jon Cunliffe, disse na quarta-feira que a cúpula do banco central precisa estar atenta aos riscos. Ele disse que o banco central conta com uma série de ferramentas e que "deverá estar pronto para usá-las quando algum risco se materializar".

A perspectiva de a Grã-Bretanha deixar o maior mercado único do mundo está aumentando a pressão sobre a libra, que caiu para menos de US$ 1,39 na quarta-feira, nível mais baixo registrado desde 2009. A moeda estava em US$ 1,3958 às 12h05, pelo horário de Londres.

Segundo a pesquisa da Bloomberg, 29 dos 34 economistas consultados preveem que a moeda cairá para US$ 1,35, ou menos, uma semana após uma possível decisão pela saída no plebiscito -- nível visto pela última vez em 1985.

Rob Carnell, economista-chefe internacional do ING Bank NV em Londres, disse que, colocada na balança, a saída seria "negativa para o Reino Unido".

"O maior problema se veria no investimento, fluxos muito reduzidos de investimento estrangeiro e investimento doméstico em geral mais baixo", disse ele. "As empresas certamente não embarcariam em um programa de investimento caro e essa incerteza se transferiria bastante rapidamente. Poderíamos não entrar em recessão, mas isso certamente aumenta a probabilidade".

 

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