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Fiat investe forte na Europa para salvar objetivos de 2018

Tommaso Ebhardt

01/03/2016 14h23

(Bloomberg) - A Fiat Chrysler Automobiles embarca em sua maior expansão na Europa em pelo menos uma década, quando a montadora ítalo-americana enfrenta momentos de crise com uma estratégia de dobrar o lucro em 2018.

Depois de atrasar investimentos na região há anos, o diretor executivo Sergio Marchionne vai apostar tudo esta semana no Geneva International Motor Show com 10 modelos novos ou atualizados, que vão do acessível Fiat Tipo ao Maserati Levante, utilitário esportivo de luxo.

Alfa Romeo é um foco particular, com variantes mais baratas e de bom desempenho do novo sedã Giulia, bem como o Giulietta renovado em estilo e recursos.

"Há muito mais para vir, então preparem-se para mais revelações", disse Marchionne aos jornalistas em Genebra na terça-feira. "Estamos em boa forma. Eu não tenho nenhuma má notícia para dar".

Enquanto a reviravolta na Europa é parcialmente um sinal de recuperação do mercado, Marchionne também não tem muitas outras opções.

O negócio da Fiat, que já foi lucrativo na América Latina, está lutando por causa da recessão no Brasil, enquanto as perspectivas na China e nos EUA são incertas. Isso faz da Europa uma região bastante crítica para o executivo, que tem muito em jogo na sua estratégia de 2018, incluindo participações pessoais de cerca de US$ 94 milhões em ações da Fiat.

"A Fiat está mostrando os resultados da sua estratégia destinada a vender carros de maior margem no mercado europeu", disse Ian Fletcher, analista da IHS Automotive, em Londres. "Há claramente um retorno à Europa pois a região está surpreendendo várias montadoras por ainda ser um mercado muito valioso".

Marchionne precisa que os carros novos - que inclui o Fiat 124 Spider, construído no Japão em parceria com Mazda Motor - sejam sucessos imediatos de venda para superar o ceticismo sobre seus alvos.

As metas de 2018 também incluem a eliminação de 5 bilhões de euros em dívida industrial líquida e a geração de um excedente de caixa de 4 bilhões de euros. Em meio às dúvidas, as ações da Fiat caíram 24% este ano, o pior desempenho entre os principais fabricantes de automóveis.

O novo investimento na Europa pode ser ajudado por acontecer no momento correto. Além da recuperação geral da demanda, a Volkswagen, maior montadora da Europa, está complicada por seus esforços para encontrar uma saída para o escândalo das emissões.

A combinação poderia ajudar a Fiat a ganhar participação de mercado. As vendas europeias estão projetadas para subir 7,7%, para 1,26 milhão de veículos em 2016, ultrapassando o ganho de 1,8% no setor, estima a IHS Automotive.

"Ajudado pela introdução de novos modelos, esperamos que Fiat tenha um bom desempenho no mercado europeu este ano", disse Massimo Vecchio, analista da Mediobanca em Milão. Vechio vê as vendas da Fiat aumentando cerca de 8% na região em 2016 - o dobro de sua previsão para o crescimento global do mercado.

Estratégia dupla

A aposta em Genebra da Fiat é o resultado de uma estratégia dupla na Europa: carros de luxo construídos em seu país de origem para alavancar o fascínio "Made in Italy" para marcas Maserati e Alfa Romeo, e veículos simples com o nome Fiat feita em locais com custos mais baixos.

O Levante terá um preço inicial de 72 mil euros na Itália e estará à venda na Europa a partir de maio, disse o chefe da Maserati, Harald Wester.

Marchionne em janeiro ajustou sua estratégia para 2018 para se adaptar às novas condições de mercado, incluindo o crescimento mais lento na China.

Ao fazer isso, o diretor executivo italiano-canadense adiou a apresentação de modelos Alfa Romeo maiores - principalmente para a China - em favor de versões atualizadas dos modelos mais vendidos, MiTo e Giulietta, para a Europa.

"Com a indústria automobilística enfrentando grandes mudanças tecnológicas na próxima década - possivelmente com novos atores que virão de fora da indústria - a Fiat está focando taticamente em segmentos e mercados onde os retornos são mais rápidos e mais certos", disse Giuliano Noci, professor de marketing da Politécnica de Milão.

"Antes de insistir em investimentos fortes destinados a um mercado chinês incerto, faz sentido aumentar as ofertas em um mercado que conhecem bem como a Europa".