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Apoiador de McClendon diz que se afastou antes das acusações

Alex Nussbaum

03/03/2016 16h02

(Bloomberg) - Um dos maiores financiadores de Aubrey McClendon estava cortando laços com ele nos dias anteriores à denúncia feita pelo Departamento de Justiça dos EUA por acusações de conspiração, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.

A Energy Minerals Group, uma empresa de private equity liderada por John Raymond, estava trabalhando em um plano para ser completamente independente de McClendon até o final do mês, e a partir de 26 de fevereiro o pioneiro de xisto já não tinha nenhum papel de liderança em qualquer uma das empresas criadas pela firma e pela American Energy Partners de McClendon, de acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato por discutir investimentos privados. McClendon, 56, morreu em um acidente de carro na quarta-feira, um dia após a denúncia ser anunciada.

McClendon tinha levantado US$ 14 bilhões para a American Energy Partners da Energy Minerals e outras e contratou mais de 450 pessoas, segundo o site da empresa. A companhia, onde era presidente e CEO, criou várias empresas de responsabilidade limitada para retirar petróleo e gás natural das rochas de xisto, um método de produção conhecido como "fracking" que ajudou o valor de mercado da Chesapeake a subir para mais de US $ 35 bilhões.

Renzi Stone, um porta-voz externo da American Energy, não retornou duas mensagens de telefone deixadas quarta-feira. McClendon foi denunciado por um grande júri federal em 1º de março, acusado de trabalhar com outra empresa para diminuir o preço dos direitos de perfuração em Oklahoma. Antes de sua morte, ele disse que iria lutar contra as acusações. Nenhuma das alegações envolvia o período de McClendon na American Energy.

Mágica da Chesapeake

McClendon procurou recriar sua mágica da Chesapeake na American Energy Partners, uma entidade de capital fechado com a sede perto do seu antigo império no nordeste de Oklahoma City. A Chesapeake já tinha tido 15 milhões de acres de direitos de perfuração e foi a segunda maior produtora de gás dos EUA. O valor de mercado da empresa caiu quando o sucesso da indústria na produção de gás de xisto resultou em um excesso de combustível.

O novo empreendimento de McClendon acumulou direitos de perfuração em centenas de milhares de acres, incluindo pontos tão distantes como a Austrália e a Argentina.

O colapso nos preços das commodities escureceu as perspectivas para a capacidade da McClendon de pagar retornos aos seus investidores. Bonds vendidos por algumas entidades da American Energy caíram para 15 centavos de dólar, de acordo com Trace, o sistema de informação de preços de bonds da Financial Industry Regulatory Authority.

Junk bonds

Uma das muitas unidades formadas como parte do empreendimento, American Energy - Permian Basin, atraiu investidores de junk bonds em novembro, com um dos maiores yields no mercado dos EUA no ano passado. A unidade vendeu US$ 530 milhões de títulos com um yield médio de 13 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg. Isso é US$ 30 milhões menos do que a venda de títulos tentada em outubro, quando os investidores exigiram yields superiores a 10 por cento do produtor de petróleo e gás em dificuldades.

O papel de McClendon na American Energy Partners começou a mudar em janeiro de 2015, quando um homem forte passou a ser-se o CEO de uma das unidades, American Energy Appalachia Holdings. Antes de sua morte, McClendon tinha concordado em não ocupar uma cadeira no conselho de qualquer um dos empreendimentos que tinha formado com a Energy Minerals, incluindo Ascent Resources, Traverse Midstream Partners e outras quatro empresas, afirmou uma das fontes que conhece o assunto. O calendário de tais movimentos não foi baseado na acusação, disse a fonte.

McClendon não tinha funções de gestão nas empresas que a First Reserve, outra private equity apoiadora, investiu, de acordo com outra pessoa familiarizada com o assunto.