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Escândalo na Volks nubla panorama do diesel e Tesla ganha rivais

Elisabeth Behrmann, Ania Nussbaum e Christoph Rauwald

03/03/2016 12h41

(Bloomberg) -- Com o futuro do diesel em xeque após o escândalo de fraude das emissões na Volkswagen, os veículos elétricos, há tempos brigando por compradores na Europa, finalmente começam a receber a aprovação das grandes fabricantes de veículos.

No Salão Internacional do Automóvel de Genebra, nesta semana, tanto as fabricantes de automóveis populares, como a PSA Peugeot Citroën, quanto as de alto padrão, como a Mercedes-Benz, da Daimler, prometeram desafiar a Tesla Motors produzindo carros elétricos com autonomias maiores e preços mais acessíveis. Após basicamente marginalizarem a tecnologia nos últimos anos devido à demanda lenta, o interesse renovado em carros movidos à bateria é necessário para que as fabricantes de automóveis cumpram as regulações mais rígidas da União Europeia para as emissões de dióxido de carbono em 2020.

O escândalo da Volkswagen deu às demais fabricantes um "empurrão na direção dos carros elétricos", disse Karl-Thomas Neumann, chefe da unidade Opel da General Motors, em entrevista. A marca alemã planeja lançar o Ampera-e no ano que vem. Este é o primeiro carro da Opel movido a energia elétrica desde o híbrido plug-in Ampera, de 2011, que teve dificuldades para atrair compradores devido ao seu preço alto.

Os motores a diesel são tradicionalmente 25 por cento mais eficientes que as versões à gasolina, o que os torna fundamentais para a redução das emissões de CO2. Mas a revelação, em setembro, de que a Volkswagen fraudou testes de laboratório dos modelos a diesel durante anos aumenta o rigor aplicado à tecnologia e ameaça abrir um rombo no plano de cumprimento das exigências regulatórias. Por isso os carros à bateria, antes deixados de lado, se tornam inevitáveis para as fabricantes, mesmo que os consumidores ainda não estejam comprando.

Citroën E-Mehari

"Vemos uma tendência muito boa em relação aos veículos elétricos, por isso estamos desenvolvendo nossa própria tecnologia e estamos contentes com ela", disse o CEO da Peugeot, Carlos Tavares. A empresa francesa, que apresentou o off-road elétrico conceito Citroën E-Mehari em Genebra, tem se mostrado bastante dependente da tecnologia do diesel. Seus primeiros carros elétricos -- o Peugeot iOn e o Citroën C-Zero -- eram versões relançadas do i-MiEV, da Mitsubishi Motors.

A Volkswagen, por sua vez, transformou os veículos elétricos no pilar de seu plano de recuperação da crise, acelerando o impulso para adicionar mais 20 híbridos plug-in e carros movidos à bateria à sua linha até 2020. Isso inclui o primeiro veículo movido à bateria da marca de carros esportivos Porsche, assim como um crossover elétrico da Audi. E a empresa promete novos saltos tecnológicos, incluindo autonomias de mais de 500 quilômetros, até o fim da década.

"A recarga demorará tanto quanto o intervalo para o café" em vez de horas, disse o CEO da Volkswagen, Matthias Müller, em Genebra. "E a longo prazo o carro elétrico custará menos que o carro com motor de combustão interna".

Avanços tecnológicos como estes ajudarão os carros elétricos algum dia. Enquanto isso, a demanda é morna e os veículos movidos à energia limpa respondem por apenas 0,68 por cento das vendas na Europa Ocidental, segundo a Automotive Industry Data. Boa parte dessa demanda vem da Noruega, onde os carros elétricos desfrutam de vantagens generosas, como incentivos fiscais e recargas gratuitas. Na Alemanha, onde os benefícios são limitados, foram vendidas pouco mais de 30.000 unidades até hoje. Os baixos preços do petróleo geram pouco incentivo para que os consumidores deem o salto.

"O mercado de carros elétricos da Europa tem sido extremamente decepcionante", disse Peter Schmidt, editor-chefe da Automotive Industry Data. "Há cinco anos, as fabricantes de veículos estavam realmente otimistas, mas agora, na minha opinião, elas terão sorte se a participação de mercado atingir 1 por cento até 2020".

As fabricantes de veículos esperam que os políticos venham socorrê-las. O CEO da BMW, Harald Krüger, é um dos líderes do setor presentes no evento que fizeram lobby por ajuda estatal, incluindo incentivos às vendas e ajuda para instalação de estações públicas de recarga. "Precisamos de apoio do governo para aumentar as vendas", disse o executivo, que lidera as negociações com o governo alemão. A fabricante com sede em Munique não lança um veículo totalmente elétrico desde o carro urbano i3 em 2013.