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Novidade no mercado de títulos, Argentina pode atrair compradores

Charlie Devereux

03/03/2016 08h45

(Bloomberg) -- Após uma década de hiato nos mercados internacionais de dívidas, a novidade da chegada da Argentina entre os investidores em títulos poderá oferecer justamente o que o país precisa para tomar até US$ 15 bilhões em empréstimos.

A Argentina responde por apenas 1,7% do mercado de dívidas de países em desenvolvimento, segundo o JPMorgan. A fatia contrasta com os 5% do Brasil e os 12,5% do México.

Apesar de ter atingido 30% no começo dos anos 1990, a participação da Argentina gira em torno dos níveis atuais desde 2001, quando o país deu um calote recorde de US$ 95 bilhões e na sequência foi impedido de tomar empréstimos internacionais pelos credores descontentes.

Devido à longa ausência do país, a Argentina não está representada em muitos fundos de títulos globais, deixando os investidores com amplo espaço para aumentarem posições no momento em que o presidente Mauricio Macri saldar as dívidas com os credores e restaurar a confiança no país, segundo Siobhan Morden, da Nomura Holdings.

A Argentina planeja emitir dívidas para pagar os acordos fechados no mês passado com o bilionário Paul Singer e outros credores, encerrando mais de 15 anos de batalha judicial.

"A novidade dessa reestreia também beneficiará a Argentina", disse Morden, chefe de estratégia de renda fixa para a América Latina.

Em um relatório em 26 de janeiro o JPMorgan estimou que a participação da Argentina em seu índice Emerging Market Bond Global dobraria para 3,44% se o país emitisse cerca de US$ 14 bilhões em títulos.

E embora o ministro da Fazenda e Finanças Alfonso Prat-Gay tenha dito que a Argentina poderá procurar captar até US$ 15 bilhões para honrar os acordos fechados com os detentores de títulos, o país poderá, na verdade, emitir quase o dobro desse montante, disse Facundo Minujín, presidente do JPMorgan para a Argentina.

Déficit no orçamento

Ele prevê que a Argentina poderá vender cerca de US$ 28 bilhões em títulos porque o governo também precisará de fundos para financiar o déficit orçamentário, que no ano passado atingiu a maior alta em três décadas.

Os investidores que usam o índice do JPMorgan como referência têm propensão a comprar mais títulos da Argentina, disse Minujín, o que poderia gerar US$ 4 bilhões em demanda adicional.

"Muitos fundos terão que comprar automaticamente para cobrir a cota argentina", disse ele.