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Queda do crescimento nominal chinês dispara sinal de alerta

Bloomberg News

03/03/2016 14h38

(Bloomberg) -- Eclipsada pelo foco na exatidão dos números do crescimento da China, houve uma queda nas estimativas para a economia não ajustadas pela inflação --oferecendo um panorama mais transparente do motivo pelo qual a desaceleração do país tem gerado cada vez mais temores em relação ao seu endividamento.

Em dólares e sem ajuste pelas mudanças de preço, o PIB (Produto Interno Bruto) da China subiu apenas 4,25% no quarto trimestre de 2015 em comparação com o mesmo período de 2014 --um aumento de US$ 439 bilhões.

Apenas dois anos antes, a China adicionou US$ 1,1 trilhão à economia global, expandindo-se 13% em relação a um ano antes.

"Encarada desta forma, a reação dos mercados financeiros à piora dos dados chineses é mais compreensível", disse Arthur Kroeber, sócio-fundador e diretor-gerente da empresa de pesquisa Gavekal Dragonomics em Hong Kong.

O crescimento nominal mais frágil dificulta o pagamento da dívida, criando o cenário para as decisões desta semana da Moody's Investors Service de reduzir a perspectiva para a classificação de crédito da China e do HSBC Holdings de diminuir suas recomendações sobre os grandes bancos do país.

Depois que a equipe do premiê Li Keqiang diminuiu o esforço de desalavancagem no ano passado, os investidores poderão apreciar as prioridades da liderança comunista em uma reunião da legislatura nacional que começa no sábado.

Além das metas econômicas para 2016, as autoridades discutirão o novo plano de cinco anos do partido.

Declínio drástico

Embora em yuans a desaceleração tenha sido mais gradual, o declínio nos ganhos do PIB nominal ainda é drástico --para um ritmo de 6,4% no final de 2015, contra 10,1% em 2013 e mais de 18% em 2010 e 2011.

A queda ressalta a necessidade de continuar reduzindo o excesso de capacidade industrial, eliminando empresas deficitárias e fortalecendo novos motores de expansão.

"O maior problema da queda do crescimento do PIB nominal é que o crescimento do fluxo de caixa para o setor corporativo teve um declínio em um momento de aceleração do crescimento do serviço da dívida", disse Victor Shih, professor da Universidade da Califórnia em San Diego que estuda política e finanças da China.

"Como a dívida é muito maior que a economia, o serviço da dívida a cada ano ainda representará duas a três vezes o crescimento incremental do PIB nominal".

O coeficiente dívida/PIB subiu para 247% no ano passado, contra 166% em 2007, impulsionado pela onda de crédito após a crise financeira global.

A dias do Congresso Nacional do Povo, nesta semana o banco central chinês reduziu a proporção de depósitos que os grandes bancos precisam manter em reserva, permitindo que destinem uma quantia maior ao crédito.

Dados divulgados na quinta-feira sinalizaram que a força do setor de serviços diminuiu. O índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços elaborado pela Caixin Media e pela Markit Economics China caiu de 52,4 em janeiro para 51,2 em fevereiro. Leituras acima de 50 sinalizam expansão.

Causas da desaceleração

O crescimento nominal desacelerou devido a fatores como a queda da produção industrial, a capacidade industrial excedente, que exerce pressão sobre os preços, e a queda dos preços das matérias-primas, disse James Laurenceson, vice-diretor do Instituto de Relações Austrália-China da Universidade de Tecnologia de Sidney.

Em uma base ajustada pela inflação, ou real, a expansão do PIB da China para todo o ano de 2015 diminuiu para 6,9%, um ritmo afetado pelos indicadores de preços utilizados pelos estatísticos.

Analisando o dólar em vez do yuan, a piora do crescimento econômico ajuda a explicar o pânico periódico nos mercados financeiros.

"Por que a China sempre foi tão empolgante para investidores e corporações internacionais? Porque está se tornando uma parte cada vez maior da economia global", disse Tom Orlik, economista-chefe para a Ásia da Bloomberg Intelligence em Pequim.

"As pessoas costumavam dizer que a China superaria os EUA em 2020. Usando como base a expansão nominal do ano passado, isso não ocorreria nunca".