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Irã terá hotel de luxo no Mar Cáspio com volta do turismo

Dalia Fahmy e Golnar Motevalli

04/03/2016 12h57

(Bloomberg) - O Irã, onde as praias são segregadas por gênero e as bebidas alcoólicas são proibidas, receberá o seu primeiro hotel à beira-mar de marca internacional, com piscinas, bares e um spa.

A Meliá Hotels International planeja abrir o hotel cinco estrelas em uma torre de 130 metros no Mar Cáspio já no próximo ano, afirmou a operadora hoteleira espanhola em um comunicado na quarta-feira. O anúncio vem depois que várias sanções comerciais contra a república islâmica foram canceladas em janeiro.

"Acreditamos firmemente no potencial turístico do Irã", afirmou o CEO Gabriel Escarrer em um comunicado, que não disse se bebidas alcoólicas serão servidas nos bares. "Sempre fomos pioneiros no desenvolvimento de novos mercados".

Os primeiros hotéis estrangeiros do Irã em décadas chegaram em outubro, quando a operadora francesa Accor abriu um Novotel e um Ibis perto do Aeroporto Internacional de Teerã Imam Khomeini. Grupos hoteleiros, como Jumeirah, com sede em Dubai, e Rotana, de Abu Dhabi, querem ganhar dinheiro com o turismo crescente em uma das mais antigas civilizações do Oriente Médio, com as ruínas de Persépolis, as praias do Golfo Pérsico e as pistas de esqui cobertas de neve.

Salman Shahr

O hotel Gran Meliá Ghoo será parte de um novo bairro que está sendo construído no resort de Salman Shahr. Ele vai competir com um imóvel que está sendo incorporado pela Rotana para se tornar o primeiro hotel de luxo operado por uma companhia estrangeira no Irã desde que a revolução do aiatolá Khomeini forçou Hyatt, Sheraton e proprietários de outras marcas a fugir em 1979.

O Irã provavelmente terá cerca de 900 hotéis no prazo de cinco anos, em comparação com 768 agora, de acordo com uma previsão da Euromonitor International. A receita com hospedagem deverá aumentar cerca de 25 por cento durante esse período, prevê a empresa, e projeta-se que o número de visitantes crescerá a uma porcentagem semelhante para 6,3 milhões.

"É uma tremenda oportunidade", disse Nikola Kosutic, chefe de pesquisa sobre o Oriente Médio da Euromonitor. "A qualidade da hospedagem não está de acordo com os padrões ocidentais, e esperamos uma grande mudança nessa frente, principalmente através de lançamentos de redes internacionais de hotéis".

Teerã e o local de peregrinação religiosa de Mashhad provavelmente vão atrair a maior parte do investimento, e as antigas cidades Isfahan, Shiraz e Tabriz também são consideradas destinos turísticos atraentes, de acordo com a Euromonitor.

Ainda assim, algumas das maiores empresas hoteleiras estão se contendo. A InterContinental Hotels Group, do Reino Unido, proprietária das marcas Holiday Inn e Crowne Plaza, atualmente não tem planos de se expandir para o Irã, disse um porta-voz. A norte-americana Hilton Worldwide Holdings também está resistindo, apesar de ver "um potencial significativo para o crescimento do setor de hospedagem", disse a empresa em uma declaração por e-mail.

Restrições restantes

Embora as Nações Unidas, os EUA e países da Europa tenham eliminado em janeiro as sanções ligadas ao programa nuclear do Irã, outras restrições vinculadas a acusações de terrorismo e violações dos direitos humanos persistem. Elas proíbem que empresas norte-americanas façam negócios com determinados pares iranianos.

Para a Meliá, com sede em Palma de Mallorca, o fim das sanções significa que ela pode entrar no país antes dos concorrentes norte-americanos.

"Nossas raízes mediterrânicas facilitam a conexão com o conceito e a filosofia de hospedagem do Oriente Médio", disse Escarrer no comunicado.