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Vivendi quer renovação e pressiona CEO da Telecom Italia, dizem fontes

Daniele Lepido e Matthew Campbell

04/03/2016 13h27

(Bloomberg) -- O cargo do CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, está sob avaliação da Vivendi. A empresa de mídia francesa está ficando impaciente com o comando dele após o investimento de cerca de 3,5 bilhões de euros (US$ 3,8 bilhões) na maior operadora de telefonia da Itália, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Patuano se reuniu com a cúpula da Vivendi na quarta-feira, em Paris, para discutir questões estratégicas, como cortes de custos, reformulação das operações domésticas e opções para a unidade brasileira Tim Participações, disseram duas pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. A Vivendi está pressionando Patuano a transformar a operadora em um grupo de mídia com foco claro no sul da Europa, disseram duas pessoas.

O CEO da Vivendi, Arnaud de Puyfontaine, se reuniu com possíveis candidatos a substituir Patuano, eventualmente, se ele não começar a levar a empresa à direção desejada pelo presidente do conselho da Vivendi, Vincent Bolloré, segundo uma das pessoas. Não foi tomada nenhuma decisão final a respeito do futuro de Patuano e o veterano executivo da Telecom Italia poderia manter seu cargo, acrescentaram essas pessoas.

Representantes da Telecom Italia e da Vivendi preferiram não comentar.

A Telecom Italia chegou a subir 6,5 por cento em Milão, para 1,01 euro, dando à empresa um valor de mercado de 18,3 bilhões de euros.

Comitês

Em fevereiro, o conselho da Telecom Italia, formado por 19 membros, adicionou aliados de Bolloré aos comitês de controle e risco e de nominação e remuneração. Dois meses antes, a proposta de Patuano de converter ações sem direito a voto em papéis ordinários foi rejeitada pelos acionistas em uma assembleia especial após oposição da Vivendi.

No ano passado, a empresa de telefonia, antes monopolista na Itália, virou o centro de uma disputa por influência entre Bolloré, dono de uma fortuna de US$ 4,4 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, e o empreendedor francês Xavier Niel -- com um patrimônio de US$ 8,5 bilhões --, que comprou uma participação equivalente a 15,1 por cento por meio de sua empresa pessoal de investimentos. Niel, fundador da provedora de banda larga Iliad, possui instrumentos financeiros ainda sem direito a voto.

A Vivendi vem comprando ações da Telecom Italia há meses e possuía 23,8 por cento até o dia 29 de fevereiro.

Patuano está sofrendo pressão regulatória da Moody's Investors Service, que questiona a capacidade da Telecom Italia de voltar a ampliar os lucros ou cortar dívidas nos próximos anos. A agência de classificação informou no mês passado que poderá rebaixar ainda mais os bonds da Telecom Italia dentro do campo da classificação de crédito especulativa.