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Apostas pessimistas somem junto com fantasma do petróleo barato

Moming Zhou

07/03/2016 11h48

(Bloomberg) -- Os hedge funds reduziram as apostas pessimistas ao ritmo mais rápido em 10 meses diante da redução do temor menor de que o barril de petróleo caia para US$ 20.

Muitas coisas aconteceram desde que o Goldman Sachs fez sua projeção, há um mês. Algumas exploradoras do xisto nos EUA jogaram a toalha após manterem a oferta por um ano apesar da queda dos preços, dizendo que bombearão menos em 2016.

A Arábia Saudita, a Rússia e outros grandes países produtores congelaram a produção e planejam se reunir no final deste mês para discutir novas medidas para respaldar os preços.

"É possível que o verdadeiro piso tenha acabado de ficar para trás", disse Ed Morse, chefe de pesquisa global de commodities do Citigroup, em entrevista à Bloomberg TV, na sexta-feira. "Acabaremos vendo a oferta dos EUA cair".

Os especuladores reduziram suas posições curtas no petróleo West Texas Intermediate em 15% na semana que terminou no dia 1º de março, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA.

A produção de petróleo dos EUA caiu pela sexta vez na semana que terminou em 26 de fevereiro, para 9,08 milhões de barris por dia, nível mais baixo desde novembro de 2014, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

A Apache disse no mês passado que sua produção de petróleo e gás natural chegará a cair 11% em 2016. A Continental Resources projetou um corte de 10%, e a Whiting Petroleum, uma redução de 15%.

Reunião de produtores

Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo pretendem se reunir com outras nações produtoras entre 20 de março e 1º de abril, disse o ministro de energia russo, Alexander Novak, na emissora de televisão estatal russa, em 4 de março. Não foi tomada uma decisão final em relação ao horário e ao local, segundo Novak.

Arábia Saudita, Rússia, Catar e Venezuela fecharam um acordo no dia 16 de fevereiro, em Doha, para congelar a produção se os demais países produtores seguirem o exemplo, em um esforço para atacar o excesso de oferta global.

"Muita gente acredita que poderíamos já ter passado pelo pior", disse Bart Melek, chefe de estratégia de commodities da TD Securities em Toronto. "Estamos vendo declínios bastante significativos na produção dos EUA. Existe uma esperança de que em breve venha um acordo da Opep".

Na sexta-feira, o prêmio que o WTI de dezembro coloca sobre as posições atingiu o menor nível desde 25 de janeiro e um índice que mede a volatilidade do maior fundo petrolífero negociado em bolsa atingiu o patamar mais baixo em quase dois meses.

As posições vendidas dos especuladores para o WTI caíram um total de 25.639 contratos de futuros e opções combinados, para 150.718, maior declínio desde 21 de abril, mostram dados da CFTC.

As posições compradas, ou seja, as apostas na subida dos preços, caíram 753. O êxodo das apostas pessimistas resultou em um salto de 24.886 contratos na posição líquida comprada.

Outros mercados

Em outros mercados, as apostas pessimistas líquidas no diesel com ultrabaixo teor de enxofre dos EUA aumentaram em 2.801 contratos. Os futuros do diesel subiram 7,6% no período. As apostas otimistas líquidas na gasolina Nymex tiveram um aumento de 5.534 contratos e os futuros do mês vigente ganharam 35%.

Os preços subiram mesmo com o aumento da oferta de petróleo dos EUA em 10,4 milhões de barris na semana que terminou em 26 de fevereiro, para 518 milhões, segundo a EIA. Este é o nível mais elevado desde 1930.

"O mercado está ignorando o aumento da oferta dos EUA", disse Phil Flynn, analista sênior de mercado da Price Futures Group em Chicago. "O mercado está começando a perceber que haverá um congelamento da produção, isso se não houver um corte. O clima mudou".