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Bonds corporativos junk escondem joias nos mercados emergentes

Natasha Doff

07/03/2016 13h40

(Bloomberg) - Não se deixe enganar pelo status de grau especulativo, muitos títulos de empresas de mercados emergentes são mais seguros do que parecem.

Notas de alto rendimento de países em desenvolvimento têm uma nota de crédito melhor, em média, do que seus pares em países avançados depois que a avalanche de rebaixamentos soberanos do ano passado voltou a colocar no grupo os tomadores de empréstimo de maior qualidade, como a brasileira Petrobras e a russa Sberbank.

Isso levou os investidores, da Aviva à Ashmore Group, a afirmar que títulos de grau especulativo dos mercados emergentes oferecem valor superior e é hora de começar a comprá-los novamente.

Gestores de recursos argumentam que as empresas são mais imunes aos calotes do que suas classificações sugerem porque os governos correriam para resgatá-las em tempos complicados.

É menos provável que os tomadores de empréstimos em países mais ricos contem com uma proteção assim. Dos 20 emissores que deram calote nos pagamentos de títulos este ano, apenas um era do mundo em desenvolvimento, afirmou a Standard Poor's em um relatório de 25 de fevereiro.

"O rendimento alto de mercados emergentes agora é mais seguro do que rendimento alto dos países desenvolvidos", disse Anton Kerkenezov, um gerente de recursos de dívida corporativa que ajuda a administrar cerca de US$ 3,5 bilhões de ativos dos países em desenvolvimento na Aviva Investors em Londres.

"Há muita preocupação sobre calotes em títulos do setor de energia dos EUA, mas as corporações de mercados emergentes são mais resistentes".

O Bloomberg High-Yield Emerging-Market Corporate Bond Index aumentou quase 20% de valor de mercado nos últimos 12 meses, quando as empresas com grau de investimento do Brasil à Rússia entraram em suas fileiras em meio a uma queda nos preços do petróleo para o valor mais baixo em 12 anos.

A S&P rebaixou cerca de 50 empresas de países em desenvolvimento para grau especulativo durante esse período, a maioria delas proveniente da América do Sul, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

'Ativos baratos'

"É um bom momento para encontrar ativos baratos", disse Nuria Jorba, analista de crédito da Union Bancaire Privée Ubp SA, gestora de patrimônio que administra US$ 94 bilhões, em Zurique.

"Recentemente, houve um sentimento negativo em relação às empresas de mercados emergentes, mas isso não significa que todos esses títulos correm risco de calote".

A inclusão de "anjos caídos", emissores que perderam seu status de grau de investimento, mas que têm baixa probabilidade de calote, ajudou a melhorar a qualidade média do crédito do universo do grau especulativo.

O Bank of America Merrill Lynch High Yield U.S. Emerging Markets Corporate Plus Index tem uma classificação três níveis abaixo do grau de investimento, um nível mais alto que o indicador de títulos especulativos de países desenvolvidos do banco.

Cerca de 22% dos títulos no índice de países em desenvolvimento têm uma nota um degrau abaixo do grau de investimento, em comparação com 15% no indicador de países avançados.

Deterioração do crédito

O diferencial do rendimento entre as duas classes também diminuiu em 39% nos últimos 12 meses. Os títulos de grau especulativo dos mercados emergentes são negociados a um rendimento médio de 10,19%, em comparação com 7,82% para a dívida de rendimento alto dos países desenvolvidos. A diferença era de 3,94 pontos percentuais há um ano.

Oitenta por cento das empresas de energia de grau especulativo dos mercados emergentes por valor de mercado são quase-soberanos, o que significa que podem receber ajuda financeira de Estados e de seus bancos se a queda do preço do petróleo prejudicar sua capacidade de pagamento de dívidas, afirmou Jan Dehn, chefe de pesquisa em Ashmore, em uma nota de pesquisa no mês passado.

Compra de títulos

Os investidores se voltaram para títulos da Petrobras e Sberbank nos últimos 30 dias depois de uma queda forte em janeiro.

Ainda há espaço para o pessimismo. A Fitch Ratings projetou neste ano que a inadimplência das empresas de mercados emergentes irá aumentar porque elas enfrentam pagamentos de mais de US$ 5,6 bilhões nos próximos três anos em um momento em que as taxas de juros dos EUA mais altas estão reduzindo o apetite dos investidores pelo risco.

O número de Eurobonds de países emergentes negociados abaixo de US$ 60 centavos de dólar mais do que duplicou no ano passado.