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China quer evitar empréstimos para entradas em hipotecas, dizem fontes

Bloomberg News

07/03/2016 15h27Atualizada em 07/03/2016 16h51

(Bloomberg) - Os regulamentadores chineses pretendem impor novas regras para acabar com a prática de tomar empréstimos a fim de cobrir o pagamento da entrada ao comprar uma casa porque querem intensificar as investigações sobre risco financeiro no mercado imobiliário, de acordo com fontes informadas sobre o assunto.

As regras vão impedir que os credores, como incorporadoras, agências de habitação, pequenas empresas de empréstimos e redes entre pares, ofereçam empréstimos para o pagamento da entrada, disseram as fontes, que pediram anonimato porque o assunto ainda não é público. Órgãos reguladores, como o banco central e a Comissão Regulatória de Bancos da China (CBRC, na sigla em inglês), também pedirão que bancos comerciais investiguem os pedidos de hipoteca e recusem aqueles cuja entrada provenha de empréstimos oferecidos por instituições do tipo, disseram as fontes.

A China planeja essas medidas em meio aos temores relativos ao aumento dos riscos nos mercados de empréstimos e aos alertas de autoridades de que os preços das casas em algumas cidades da camada superior estejam aumentando rápido demais. A autoridade mais sênior de Xangai disse que o mercado imobiliário da cidade está "superaquecido" e deveria ser controlado com maior rigor depois do recente aumento dos preços das casas.

"Se for implementada de modo estrito, essa medida poderia desacelerar as vendas de casas, porque terá um impacto psicológico nos investidores", disse Liu Yuan, diretor de pesquisa em Xangai da Centaline Group, a maior agência imobiliária da China.

Ações imobiliárias

Como parte das últimas medidas, os reguladores também fortalecerão as provas de resistência dos empréstimos com garantia imobiliária, disseram as fontes, sem dar detalhes. Representantes do Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) e da CBRC não responderam imediatamente a pedidos de comentários enviados por fax.

Liu, da Centaline, disse que a fatia de investidores, entre os compradores de casas em Shenzhen, que está adquirindo residências como investimento, e não como moradia, voltou ao auge histórico de cerca de 30 por cento, observado pela última vez em 2009, citando pesquisas da própria agência. Ele disse que é difícil estimar a proporção dos empréstimos para o pagamento da entrada, existentes no mercado há dois ou três anos.

"Esse tipo de empréstimo traz riscos ocultos porque sugere que a verdadeira alavancagem em hipotecas é maior" do que mostram os dados bancários, disse Liu.

Flexibilização de restrições

Em novembro de 2014 a China começou a flexibilizar as restrições imobiliárias em meio a iniciativas para revigorar a segunda maior economia do mundo. As medidas - que visavam aliviar a abundância de casas não vendidas em cidades menores - acabaram, em vez disso, elevando os preços nos maiores centros populacionais do país. Os preços em Shenzhen deram um salto de 4 por cento em janeiro em relação ao mês anterior e subiram 52 por cento durante os últimos 12 meses. Os valores no centro financeiro de Xangai aumentaram 18 por cento nos últimos 12 meses, e os de Pequim avançaram cerca de 10 por cento.

Os reguladores permitiram no mês passado que bancos comerciais cortassem a entrada mínima de hipotecas para a compra da primeira casa de 25 por cento para 20 por cento e para a compra da segunda casa de 40 por cento para 30 por cento, exceto em cinco grandes cidades com restrições à compra de residências. A demanda por imóveis também está sendo impulsionada pelo estímulo monetário depois que o PBOC reduziu as taxas de empréstimo de referência seis vezes desde 2014, diminuiu os requisitos de reservas dos bancos e inundou o sistema financeiro de dinheiro para que os custos dos empréstimos continuassem baixos.

O estímulo ajudou a impelir os empréstimos tomados por chineses que compram casas a patamares recorde. Os empréstimos bancários de médio e longo prazo para famílias, principalmente empréstimos hipotecários para moradia, aumentaram em 478,3 bilhões de yuans (US$ 73,5 bilhões) em janeiro, de acordo com os dados mais recentes do Banco Popular da China.