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Maiores traders de bonds do mundo não têm margem de segurança

Lukanyo Mnyanda

07/03/2016 15h45Atualizada em 07/03/2016 16h52

(Bloomberg) -- Os maiores investidores em bonds do mundo estão deixando a si mesmos quase sem espaço para erros.

Mais de US$ 2,5 trilhões em dívidas soberanas da zona do euro praticamente garantem prejuízos para os compradores. Os traders estão ampliando as apostas em uma forte queda dos bonds alemães em um momento em que os yields de 10 anos atingem as baixas recordes de abril. E o nervosismo do mercado está em níveis vistos pela última vez durante a impressionante queda dos mercados europeus de dívidas de um ano atrás.

Contudo, a JPMorgan Asset Management, a Standard Life Investments e a Lombard Odier Asset Management dizem que não há motivo para temer uma inversão violenta. Da última vez, os investidores em bonds que derrubaram os yields para níveis tão baixos sofreram prejuízos assombrosos porque a flexibilização quantitativa realizada pelo Banco Central Europeu gerou um lampejo de otimismo na economia da região.

Há pouco disso atualmente. Apesar das taxas de juros negativas e de mais de US$ 660 bilhões em compra de bonds pelo banco central, as perspectivas para o crescimento e a inflação da zona do euro apenas pioraram. Por isso, seja qual for a ação que as autoridades do BCE decidirão adotar em sua reunião, nesta semana, muitos desses mesmos investidores confiam que o presidente Mario Draghi não terá outra escolha além de pressionar por medidas ainda mais agressivas nas próximas semanas ou meses. E isso manterá a demanda até mesmo dos bonds com rendimento negativo.

Risco de queda forte

"Sempre existe um risco de queda forte" como a de 2015, disse Jack Kelly, gestor de recursos em Edimburgo da Standard Life, que administra cerca de US$ 360 bilhões. Mas "temos uma alta convicção de que o BCE agirá. É preciso que haja um senso de urgência. Draghi entende plenamente a necessidade de convencer o mercado".

E qualquer queda forte seria uma oportunidade para comprar, disse Kelly.

A compreensão equivocada disso poderia ser desastrosa, especialmente se a experiência do ano passado for tomada como parâmetro. Depois que os yields médios sobre as dívidas soberanas da zona do euro atingiram uma baixa recorde de 0,425 por cento há um ano, os compradores de bonds mais otimistas foram atropelados.

Em toda a região, os bonds soberanos perderam mais de 400 bilhões de euros (US$ 440 bilhões) em valor durante uma forte queda de dois meses que terminou em junho, mostram dados compilados pelo Bank of America. Os detentores de dívidas alemãs de prazo mais longo perderam um recorde de 13 por cento apenas no segundo trimestre, enquanto os mercados de bonds da Ásia e dos EUA também foram abalados pelos efeitos adversos.

E como os yields estavam muito baixos, até mesmo decepções leves podem levar a grandes declínios. Depois que a reunião de dezembro do BCE foi incapaz de inspirar os investidores a procurarem medidas mais ousadas, a dívida soberana europeia sofreu o maior prejuízo já registrado em um único dia.

Não faltam sinais de alerta.

No mercado de opções, o custo dos contratos pessimistas para bunds alemães atingiu o nível mais alto desde outubro em relação aos otimistas, mostram dados compilados pela Bloomberg. Um indicador das oscilações de 30 dias dos bunds também deu um salto após a alta de maio, quando a forte queda fez os yields de 10 anos subirem a 1,06 por cento.

Eles estavam em 0,21 por cento na segunda-feira após chegarem a cair 0,1 por cento na semana passada. Em abril, os yields atingiram uma baixa recorde de 0,049 por cento.

Com bonds de yields negativos "você fica essencialmente rezando pela oportunidade de vender para um otário maior que você", disse Zane Brown, estrategista de renda fixa da Lord Abbett Co., que administra cerca de US$ 125 bilhões. "Os mercados têm o costume de esperar mais do que os bancos centrais consideram prudente fazer. E nós vemos esse fenômeno se repetir uma e outra vez".