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Fundo de US$ 19 bi não vê a hora de investir na Argentina

Carolina Millán e Daniel Cancel

08/03/2016 15h33

(Bloomberg) -- Quando começar seu tão aguardado retorno aos mercados internacionais de títulos, no mês que vem, para captar quase US$ 12 bilhões, a Argentina poderá contar com a Highland Capital Management como uma das compradoras.

O fundo especulativo, que administra US$ 19 bilhões, espera comprar "uma quantidade grande" desses títulos, segundo Jim Dondero, presidente e cofundador da Highland, com sede em Dallas, EUA.

Antes de reduzir suas posições nos últimos seis meses, a empresa era a maior detentora de notas da Argentina da emissão de US$ 4 bilhões com vencimento em 2033.

O plano da Highland de investir é um bom sinal para a Argentina em um momento em que o país tenta vender uma quantidade sem precedentes de dívida para pagar os acordos com os credores holdout liderados pelo bilionário Paul Singer.

Sugere também que os chamados investidores em dívida distressed que acumularam notas da Argentina nos últimos anos poderão continuar comprando dívida do país mesmo após a saída do calote.

"Pretendemos manter o que temos de títulos originais, mas pensamos comprar parte da nova emissão", disse Dondero, de Dallas.

"Estamos otimistas em relação ao preço que a Argentina provavelmente fixará para a dívida e ao preço em que provavelmente ela será negociada, especialmente em relação a outros títulos soberanos latino-americanos".

A Argentina planeja emitir US$ 11,68 bilhões em títulos com rendimento de 7,5% a 8% em meados de abril, disseram assessores do ministro da Fazenda e Finanças ao Congresso na sexta-feira, quando apresentaram um projeto de lei para as dívidas que tem por objetivo limpar o caminho para um acordo com a maioria dos holdouts.

O país venderá três títulos com vencimentos de 5, 10 e 30 anos, disse o secretário de Finanças Luis Caputo.

O governo, que emitirá a dívida sob a lei de Nova York, espera que os rendimentos caiam para cerca de 6% no curto prazo com subidas na classificação e com a melhora das perspectivas para a situação fiscal e monetária do país, disse ele.

O presidente Mauricio Macri tomou medidas rapidamente para voltar a ter acesso ao mercado e reverter as políticas de sua antecessora, Cristina Kirchner, desde que assumiu o cargo em 10 de dezembro.

O país estava excluído dos mercados internacionais desde um calote recorde de US$ 95 bilhões em 2001.

A Argentina não conseguiu pagar os detentores de seus títulos reestruturados regidos por lei estrangeira após outra cessação de pagamentos, em julho de 2014, quando Cristina se negou a acatar as ordens da Justiça dos EUA para chegar a um acordo com os credores.

A Highland deverá estar entre as maiores beneficiadas quando o juiz distrital dos EUA Thomas Griesa cancelar a proibição que impede o país de pagar sua dívida reestruturada. O fundo adquiriu os títulos de 2033 em junho de 2014, quando eram negociados a cerca de 75 centavos de dólar.

Dondero disse que a Highland teve retornos anualizados de quase 20% com os títulos da Argentina desde junho de 2014, o que ajudou a compensar os prejuízos da empresa, no ano passado, com os investimentos no setor de energia.

"Nossa impressão inicial em 2014 era que algo tinha que melhorar", disse Dondero. "Era um país rico em recursos que estava reduzindo sua produção e ficando sem suas reservas de divisas.

As consequências de ser um pária financeiro, as políticas fiscais horríveis, as manipulações de preços e os subsídios gigantescos estavam chegando a um ponto de inflexão.

Nossa opinião, que eu acredito que foi uma boa interpretação e acabou sendo correta, era que no médio prazo era inevitável que chegassem a um acordo com os holdouts e isso faria com que os títulos fossem negociados a um preço mais alto".

Dondero disse que está buscando oportunidades de investimento no país além das dívidas soberanas e que poderá criar um fundo para a Argentina.

Assim como a Highland, é provável que outros detentores da dívida em calote do país reinvistam na Argentina após serem pagos, segundo os analistas Jane Brauer e Sebastian Rondeau, do Bank of America.

"Havia uma expectativa de que os investidores distressed iriam embora quando a transação estivesse concluída, mas em vez disso vemos muitos fundos criando fundos dedicados à Argentina para investir em dívidas, ações ou até mesmo private equity", disseram eles em um relatório de 3 de março.

"Os novos títulos, se precificados corretamente, seriam apenas outro ativo que forneceria potencial de crescimento na comparação com ativos alternativos da Argentina".