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Quem compra sofás à prova de balas?

Polly Mosendz

08/03/2016 13h35

(Bloomberg) -- Em 2000, John Adrain teve um problema comum entre os habitantes de São Francisco: ele tinha coisas demais e muito pouco espaço.

Mas as coisas de Adrain não eram do tipo que se pode enfiar em um armazém. Colecionador de armas de fogo antigas desde os nove anos, ele queria manter sua extensa (e cara) coleção longe das mãos erradas.

Adrian construiu um cofre para armas em sua cama, criando o primeiro protótipo daquilo que é vendido hoje como BedBunker por sua empresa, a Heracles Research Corporation.

As camas não apenas escondem armas de fogo, mas também o protegem delas: são à prova de balas.

Hoje, a empresa do Texas oferece um catálogo completo de cofres ocultos: BedBunker, CouchBunker (para sofás), TableBunker (mesas), ClosetBunker (guarda-roupas) e até mesmo TruckBunker e ConsoleBunker (caminhonetes e carros). Os sofás, com uma faixa de preço que vai de US$ 7.780 a US$ 10.720, são feitos com um tecido capaz de parar uma bala.

A Heracles é uma das várias empresas que começaram a fabricar produtos domésticos à prova de balas nos últimos tempos. Há cinco anos, a Ballistic Furniture Systems, do Arizona, começou a desenvolver materiais à prova de balas que podem ser usados na fabricação de móveis. Nos últimos 12 meses, duas empresas de menor porte, a Aspetto e a Osdin Shield, lançaram linhas de móveis à prova de balas.

Bens domésticos à prova de balas podem ser vendidos pelo dobro do preço dos móveis tradicionais. Os sofás produzidos de forma personalizada pela Osdin Shield podem custar até US$ 9.000.

O alto preço dos sofás Heracles reflete sua base de clientes: "Eu não tenho nenhum cliente sem-teto. [A base] tende a ser o 1 por cento mais rico", disse Adrian.

Os fabricantes testam seus móveis à prova de balas em ambientes controlados, mas pouco se sabe a respeito de como os proprietários os usariam em caso de tiroteio.

"Não sei se alguém já teve que usá-los", disse Adrain. As almofadas do sofá da Heracles foram desenhadas com alças e são leves o suficiente para serem levantadas, de forma que podem ser utilizadas como escudo.

O interesse no catálogo de produtos de Adrain está em alta, disse ele, e corresponde ao crescente interesse nacional na compra de armas.

As verificações de antecedentes do FBI -- que dão uma ideia das vendas de armas -- aumentaram 38% em dezembro de 2015 em relação ao ano anterior. "As pessoas estão preocupadas com a Segunda Emenda.

Quando compram mais armas, as pessoas compram também mais cofres", disse ele.

Quartos seguros

As vendas de barreiras balísticas pela Ballistic Furniture Systems dobraram de 2014 a 2015, disse o CEO Jeffrey A. Isquith.

A empresa criada há cinco anos trabalha principalmente com clientes comerciais, como hospitais, lojas e hotéis, mas começou a receber pedidos para equipar quartos seguros em residências. Transformar um quarto de 37 metros quadrados em um espaço totalmente à prova de balas custaria de US$ 5.000 a US$ 10.000, estimou Isquith.

Isquith atribui o crescimento da empresa a um casamento bem-sucedido entre o conhecimento balístico e o bom senso em termos de design: "Ninguém quer que tudo fique parecendo um banco, nem que a casa pareça uma zona de guerra.

As pessoas querem um ambiente agradável, onde não se saiba que [a segurança à prova de balas] está lá". A empresa desenvolve uma barreira balística que pode ser facilmente integrada a diversos estilos de design.

A base de clientes para móveis à prova de balas é difícil de identificar, em parte porque, como Adrain define, "as pessoas que precisam desse tipo de proteção normalmente não espalham isso".

Abbas Haider, fundador da empresa de proteção pessoal Aspetto, de Virgínia, espera que o interesse em móveis à prova de balas aumente com a arena política. "Há muita tensão hoje na política, especialmente quando as pessoas pegam em armas e entram em prédios do governo", disse Haider, em referência à ocupação recente de um refúgio natural federal em Oregon.

A Aspetto recentemente fabricou uma mesa executiva à prova de balas de US$ 5.000 para um cliente cuja identidade é desconhecida até mesmo pelos executivos da Aspetto.