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Estímulo de Mario Draghi não convence investidores em ações

Roxana Zega

09/03/2016 13h12

(Bloomberg) -- Mario Draghi não está conseguindo convencer os investidores em ações de que o Banco Central Europeu tem poder de fogo para restabelecer o crescimento.

Embora todos os economistas que participaram de uma pesquisa da Bloomberg esperem que o banco central corte as taxas de juros quando a autoridade monetária se reunir, na quinta-feira, e 73 por cento deles projetem que a entidade aumentará a quantidade de recursos injetada no sistema financeiro por meio de aquisições de bonds, os gestores de fundos não estão otimistas em relação a uma alta das ações depois da decisão. No primeiro ano de flexibilização quantitativa, o Euro Stoxx 50 Index caiu 17 por cento e a volatilidade atingiu níveis que não eram vistos desde 2008. Depois de uma reunião do BCE em abril, o indicador caiu em todos os meses, exceto em um.

"Não será fácil para Draghi trazer de volta a confiança na recuperação", disse Andreas Nigg, chefe de estratégia para ações e commodities da Vontobel Asset Management em Zurique. "O crescimento e a inflação na Europa continuam paralisados em níveis baixos e as revisões dos lucros continuam caindo. O mercado precisa de revisões de lucros melhores e de surpresas econômicas melhores".

Mesmo após o banco central injetar cerca de 720 bilhões de euros (US$ 794 bilhões) na região, a indústria caiu e atingiu seu nível mais baixo desde 2013, a taxa de inflação ficou negativa e a confiança do consumidor piorou. Isso levou os analistas a reduzir as estimativas de crescimento dos lucros em meio à pior decepção em termos de ganhos desde 2007, pelo menos. Os investidores estão retirando dinheiro das ações europeias ao ritmo mais rápido desde 2014.

Quando o banco central iniciou seu programa de compra de bonds, as ações caminhavam para uma alta em meio ao crescente otimismo com a recuperação da zona do euro. Mas uma sucessão de crises, que começou com a quase saída da Grécia do bloco monetário, piorou pela crescente inquietação com a desaceleração do crescimento da China, pelo escândalo das emissões na Volkswagen e pelo aumento dos juros realizado pelo Federal Reserve em dezembro e derrubou o ânimo, deixando as ações com um avanço de apenas 3,9 por cento em 2015, que contrasta com a alta de 22 por cento registrada anteriormente.

Retirada de recursos

O Euro Stoxx 50 está definhando, a 21 por cento abaixo do pico de abril, e os gestores de recursos retiraram quase US$ 7,8 bilhões dos fundos que monitoram as ações da região no período de quatro semanas que terminou no dia 2 de março, segundo um relatório de sexta-feira do Bank of America que cita dados da EPFR Global.

"Os investidores que esperam que os bancos centrais façam tudo corretamente sempre vão se decepcionar", disse John Haynes, chefe de pesquisa da Investec Wealth Investment em Londres. A empresa dele, que administra 27,8 bilhões de libras (US$ 40 bilhões), não realizou nenhuma mudança em sua exposição às ações ao longo da queda. "O BCE fez seu trabalho. Se os investidores esperam que o banco central cure a China ou reoriente o clima político, eles ficarão decepcionados".

O Deutsche Bank alertou os traders de que "os riscos se inclinam para uma ação menor que a estimativa de consenso" e os analistas do JPMorgan assessoraram os clientes a "usar qualquer ressalto inspirado no BCE para reduzir a exposição", segundo notas de segunda-feira.

Hora de comprar

A queda levou a avaliação do Euro Stoxx 50 a 13 vezes os lucros estimados, nível próximo ao piso de três anos em relação a um índice de ações globais. Para Didier Duret, diretor de investimento da unidade de gestão de riquezas do ABN Amro Bank em Amsterdã, este é o momento ideal para comprar ações. Além disso, os economistas ainda projetam que a zona do euro crescerá 1,6 por cento neste ano, maior expansão desde 2011.

"Ainda há riscos por aí, mas muitos deles já foram descontados", disse Duret, cuja empresa ampliou sua exposição às ações europeias em 2 por cento em fevereiro, com foco em empresas de saúde, consumo e tecnologia. "É questão de meses ou semanas para que vejamos o impacto na economia".