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Rebelo: Sem maioria parlamentar, qualquer governo é instável

Arnaldo Galvão

09/03/2016 15h07

(Bloomberg) -- O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, diz que o governo vem fazendo tudo o que está ao seu alcance para estabilizar o apoio no Congresso, mas as crises política e econômica, somadas à Lava Jato, atrapalham. Ele foi presidente da Câmara durante a crise do mensalão entre 2005 e 2007.

"O governo tem dificuldade para estabilizar sua base de apoio no Congresso e, sem maioria, qualquer governo é instável", admite Rebelo. Apesar disso, ele acredita que é possível superar a dificuldade que o governo tem na Câmara e ressalta que no passado recente, durante a grave crise do mensalão, encontrou-se uma solução política.

Rebelo defende que, em um sistema de presidencialismo de coalizão, quem apoia o governo tem de participar do governo. "Isso deveria ter feito isso antes", comenta.

"As crises econômica e política, somadas à Lava Jato e à baixa popularidade do governo, atrapalham a formação de uma maioria parlamentar; a base do governo também é muito heterogênea e isso tem de ser considerado", diz o ministro da Defesa.

Rebelo foi, recentemente, um dos ministros que ajudou a presidente Dilma Rousseff na articulação política do governo com o Congresso. Esse papel foi reduzido com a escolha dos novos ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. No contexto das dificuldades políticas que o governo enfrenta na Câmara, o ministro da Defesa diz que a instabilidade não foi criada pelo presidente Eduardo Cunha. "Ele tem uma agenda de maior independência da Câmara em relação ao governo, mas os problemas começaram quando a Lava Jato envolveu Cunha e ele, equivocadamente, culpou o governo", afirma.

Para Rebelo, é "óbvio" que o governo não controla a Lava Jato, mas apesar disso, diz que Cunha ficou mais hostil e foi para o confronto. "O presidente da Câmara tem muito poder", reconhece. O lançamento das candidaturas do deputado e de Arlindo Chinaglia (PT-SP) simultaneamente para a presidência da Câmara, no início de 2015, foi um erro do governo, na avaliação do ministro, mas isso não foi decisivo. "A Lava Jato foi decisiva".

"O Brasil vive atualmente uma crise representada por três rios caudalosos que recebem muitas chuvas, mas desaguam no mesmo lugar; esses rios são a Lava Jato e as crises política e econômica", afirma Aldo Rebelo. Apesar da crise aguda, ele pondera que o Brasil não tem conflitos incontornáveis como, por exemplo, étnicos, religiosos ou de fronteiras. Essa vantagem, segundo o ministro, ajuda a preservar as instituições e a estabilidade.

O impeachment, de acordo com Rebelo, não tem base legal e, em sua área de atuação no governo, garante que o ambiente entre os militares é de "serenidade". "Não há, nem de longe, a ideia de protagonismo político por parte dos militares. O protagonismo militar possível é o previsto na Constituição", diz. Para o ministro, os militares são patrióticos e têm compromisso com o interesse público. Têm as mesmas preocupações que todos os cidadãos têm.

Caças Gripen

O ministro da Defesa também afirma que há recursos orçamentários garantidos para cumprir os principais contratos da sua área, como, por exemplo, os relacionados à compra dos caças Gripen. "Há recursos orçamentários garantidos para cumprir todos os contratos".

Rebelo diz que o governo busca contatos com os governos da Suécia e da Índia porque os caças Gripen podem ser comprados pelos indianos. "Queremos abrir mercados para as empresas brasileiras e esse esforço da diplomacia de defesa que o governo brasileiro faz envolve vários países como, por exemplo, árabes, Indonésia, Paquistão", informa o ministro. Na agenda de Rebelo, hoje será recebido o ministro da defesa da Mauritânia e já estão marcadas as visitas dos ministros do Irã e da Índia.