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BCE amplia estímulos com corte de juros, compra de ativos e mais

Alessandro Speciale e Jeff Black

10/03/2016 11h54

(Bloomberg) -- Mario Draghi lançou seu pacote de estímulo mais audacioso até agora, testando inesperadamente os limites inferiores de todas as taxas de juros do Banco Central Europeu, expandindo as aquisições mensais de bonds em um terço e sinalizando que poderá pagar aos bancos para que tomem emprestado seu dinheiro.

O Conselho Governativo, que é formado por 25 membros e se reuniu nesta quinta-feira em Frankfurt, reduziu a tarifa de depósito overnight dos bancos em 10 pontos-base, para -0,4 por cento, e cortou a taxa básica para zero. As aquisições de bonds foram ampliadas de 60 bilhões de euros para 80 bilhões de euros (US$ 87 bilhões) por mês e os bonds corporativos passarão a ser elegíveis. Uma nova série de empréstimos de longo prazo para bancos começará em junho.

"O Conselho Governativo espera que as taxas de juros básicas permaneçam nos níveis atuais ou abaixo deles por um longo período e bem além do horizonte das nossas compras de ativos líquidos", disse Draghi. As medidas são calibradas para "fortalecer o impulso da economia da zona do euro", disse ele.

O pacote superou as expectativas do mercado por mais estímulos e poderia sinalizar um temor maior em relação à persistente fragilidade dos preços ao consumidor e à desaceleração chinesa. Draghi disse em diversas oportunidades que o banco central está disposto a fazer o que for necessário para reanimar a inflação e sustentar a recuperação da região.

"Este provavelmente é um exemplo do que é necessário", disse Stewart Robertson, economista da Aviva Investors em Londres, que gerencia cerca de US$ 378 bilhões em ativos. "Por enquanto está bom. Agora vamos ver se isso alimentará a economia real".

O presidente do BCE disse, em entrevista coletiva em Frankfurt, o seguinte:

* As taxas de juros permanecerão nos níveis atuais ou abaixo deles por um período de tempo mais longo;

* A perspectiva para o crescimento foi revisada para baixo, refletindo o enfraquecimento das perspectivas globais;

* A expectativa para o PIB de 2016 foi revisada de 1,7 por cento para 1,4 por cento;

* A expectativa para o PIB de 2017 também foi revisada para baixo, de 1,9 por cento para 1,7 por cento. Em 2018, o PIB deverá ficar em 1,8 por cento.

* A projeção de inflação para 2016 foi reduzida de 1 por cento para 0,1 por cento;

* A inflação será de 1,3 por cento em 2017 e de 1,6 por cento, em média, em 2018.

O banco central não introduziu uma taxa de depósito escalonada, algo que havia sido especulado antes da reunião do conselho.

"Discutimos por algum tempo um sistema escalonado, um sistema de isenção", disse Draghi. "No fim, o Conselho Governativo decidiu não fazer isso, exatamente com o propósito de não sinalizar que podemos ir tão baixo quanto quisermos com isso".

Os bonds denominados em euro com grau de investimento emitidos por corporações não bancárias estabelecidas na zona do euro serão incluídos na lista de ativos elegíveis para aquisições regulares sob a flexibilização quantitativa.

O BCE disse que sua nova rodada de operações de refinanciamento direcionadas começará em junho. O banco central disse que a taxa de juros "poderá ser tão baixa quanto a taxa de juros aplicada à facilidade de depósito".