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China é a razão pela qual você não deve comprar aquele Picasso

Rani Molla e Andrea Felsted

11/03/2016 14h02

(Bloomberg) - Você imaginaria que as taxas de juros negativas iriam alimentar um boom de diamantes, antiguidades e vinhos finos, porque as pessoas buscariam uma alternativa a guardar o dinheiro debaixo do colchão. Mas você estaria errado: os preços de todos os três estão caindo.

Embora alguns "itens de coleção", como relógios vintage, bolsas de luxo e carros antigos estejam se mantendo muito bem, outros vão mal. O fenômeno de que os paraísos seguros nem sempre sejam o melhor lugar para se esconder foi explorado recentemente por Nir Kaissar, da coluna Gadfly, que questionou o ouro, o dinheiro vivo e os imóveis.

O comércio de tesouros colecionáveis, de obras menores de Picasso a relógios Patek Philippe, também pode ser pouco confiável. É claro que seu fascínio é que eles não estejam correlacionados com mercados financeiros instáveis, mas eles nunca estão totalmente desligados do mundo real. Na verdade, uma razão para o fraco desempenho de algumas classes de ativos alternativos é sua correlação com a China. Chineses ricos acumularam muito artigos de luxo nos últimos anos, mas a repressão aos gastos extravagantes teve um enorme impacto em alguns itens de coleção. Outros poderiam ter o mesmo destino.

Vinhos finos

Os preços dos vinhos finos sobem e descem com o mercado chinês. Depois do fim de um imposto em 2008, a China se tornou um grande comprador de vinhos finos, o que provocou um aumento dos preços, de acordo com Justin Gibbs, diretor e um dos fundadores do mercado de vinhos finos Liv-ex. Da mesma forma, a austeridade e a diminuição do hábito de presentear na China estão deixando o mercado em queda desde 2011.

Diamantes

Neste momento, os diamantes não são o melhor amigo de ninguém, porque a valorização do dólar prejudicou a demanda. A China não está ajudando. As medidas enérgicas contra os gastos extravagantes tiveram um "forte efeito sobre como as pessoas consideram os diamantes" lá, diz Martin Rapaport, fundador do relatório de diamantes que leva seu nome, embora ele diga que a demanda por anéis de noivado continua "sólida como pedra".

Obras de arte

Colecionadores chineses têm um papel central no mercado da arte também. A demanda tem elevado os preços nos últimos anos, de acordo com Jonathan Yee, da Artnet. Clare McAndrew, fundadora da Arts Economics, diz que as vendas globais de obras de arte caíram 7 por cento no ano passado, para US$ 63,8 bilhões, em parte por causa da campanha contra gastos extravagantes na China, onde as vendas totais de obras de arte caíram 23 por cento.

Relógios vintage

Até em classes de ativos que estão se saindo bem, como os relógios, os colecionadores chineses moldam o mercado. De acordo com a casa de leilões Christie's, eles conformam cerca de 30 por cento a 40 por cento dos colecionadores em todo o mundo.

Bolsas de luxo

O mesmo com as bolsas de luxo. De acordo com Matthew Rubinger, especialista da Christie's, as bolsas "se tornaram uma classe de ativos mais do que um sucesso passageiro". Embora a procura esteja aumentando na Europa e no Oriente Médio, a Ásia continua sendo uma região importante para esta categoria emergente. A Hermès, uma das favoritas dos consumidores chineses, é a marca mais cobiçada pelos colecionadores.

Carros de coleção

E o gosto chinês poderia desempenhar um papel ainda maior em outras classes de ativos alternativos. Restrições à importação de carros usados impediram que houvesse grandes colecionadores de carros. Se a China aliviasse essas restrições - como alguns acreditam que vai acontecer - o país poderia ser um grande mercado para carros antigos, de acordo com Jonathan Kringer, da empresa de seguros de carros de coleção Hagerty. Por enquanto, os entusiastas chineses preferem os esportivos e os carros de luxo, e daí os carros colecionáveis são uma progressão natural, diz ele.

Se você acha que seus investimentos não estão relacionados, pense bem. Como em outras áreas da vida econômica, a influência da China está em toda parte. Se você está preocupado com seu bem-estar financeiro, talvez aquele colchão tenha algum mérito no fim das contas.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.