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Rendimentos de 38% na Argentina fazem BofA recomendar compra

11/03/2016 14h00

Com a desvalorização do peso argentino e a inflação do país superando os 30 por cento, muitos investidores estrangeiros naturalmente consideram que o mercado local de bonds é inacessível. Trata-se de um equívoco, na visão da Balanz Capital e do Bank of America.

Os acordos do presidente Mauricio Macri com os credores holdout aumentaram a confiança dos investidores na Argentina, ajudando a reduzir os yields de algumas dívidas denominadas em dólares do país a baixas recorde. Mas alguns de seus bonds em pesos ostentam yields de cerca de 38 por cento depois que o banco central elevou a taxa básica de juros para conter a inflação.

Para o diretor de investimentos da Balanz, Walter Stoeppelwerth, os investidores deverão lucrar porque o impulso para frear o custo de vida compensará no segundo semestre do ano, reforçando os retornos dos bonds. E embora recomende que se faça hedge do peso, Stoeppelwerth disse que isso poderá não ser necessário a curto prazo porque a moeda poderia ganhar força nos próximos meses, quando a colheita de soja de abril gerar uma entrada de dólares.

"Mesmo com a inflação e a volatilidade, você está protegido", disse Stoeppelwerth, de Buenos Aires. "As pessoas serão compensadas por manterem os bonds por meio de ganhos de capital".

Stoeppelwerth, que se mudou para a Argentina em 2014 após passagens como gestor de recursos da Tiedemann Investment Group e da Triogem Asset Management, recomenda as notas do banco central, assim como a compra de bonds em pesos com taxa flutuante para 2018 e 2020. Ambos os títulos, que estão ligados à taxa de depósito local conhecida como Badlar, têm yields de cerca de 33 por cento.

Bank of America

Os chamados flutuantes e bonds que estão ligados a yields sobre notas do banco central também estão entre as principais escolhas do Bank of America. Os analistas Claudio Irigoyen e Ezequiel Aguirre recomendam fazer hedge porque esperam uma desvalorização do peso ao longo do ano.

Os preços ao consumidor subiram 32,9 por cento em fevereiro em relação a um ano antes, com base no indicador da cidade de Buenos Aires que o governo federal está usando enquanto reformula a agência nacional de estatísticas após anos de supostas declarações incorretas.

"O principal risco para esses instrumentos é um declínio significativo das taxas de juros locais", disseram Irigoyen e Aguirre em um relatório de 22 de fevereiro. "Mas como a inflação está em torno de 30 por cento, é altamente improvável que as taxas locais caiam a curto prazo".