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Quando motorista for obsoleto, Zenrin venderá mapas para carros

Ma Jie e Masatsugu Horie

14/03/2016 09h43

(Bloomberg) -- Após passar da coleta de dados por cartógrafos a pé para os veículos equipados com sensores, uma empresa japonesa que começou produzindo guias com listas de locais públicos para banhos termais está entrando no mundo da direção autônoma.

A Zenrin, maior fabricante de mapas do Japão, que conta com a Google e a Toyota Motor entre seus clientes, pretende utilizar seu conhecimento sobre a topografia do Japão, aprimorado em sete décadas de operação. Para manter sua vantagem e afastar a concorrência a empresa está trabalhando em um sistema capaz de traduzir informações coletadas por veículos munidos de câmeras e outros equipamentos em tempo real.

Essa capacidade é essencial para o desenvolvimento de mapas para carros autônomos que fabricantes de veículos japonesas como Nissan e Toyota visam a lançar após 2020. A Zenrin se une à Google, à Mobileye e à alemã HERE -- que foi adquirida da Nokia pelo trio Audi, BMW e Daimler -- em uma corrida para desenvolver sistemas que oferecem uma orientação precisa e contextualizada para os veículos autônomos.

A tecnologia de mapeamento é um dos maiores obstáculos técnicos enfrentados pelos carros autônomos, segundo Carlos Ghosn, CEO da Nissan e da Renault. Diferentemente dos mapas tradicionais usados na navegação atual dos carros, que dependem de uma base de dados pré-instalada, os mapas para a direção autônoma precisam de atualizações em tempo real, inclusive de condições de trânsito e informações rodoviárias precisas, como fechamentos e novas sinalizações.

"Existe uma enorme diferença entre produzir os mapas de navegação atuais e os mapas para direção autônoma", disse o presidente da Zenrin, Zenshi Takayama, na sede da empresa, em Tóquio. "É como comparar as escaladas do Monte Fuji e do Monte Everest".

Esses esforços estão sendo intensificados. Fabricantes de veículos de todo o mundo trabalham na tecnologia para transformar os carros autônomos em realidade. A previsão é que até 12 milhões de carro autônomos sejam vendidos globalmente em 2035 e que respondam por cerca de 10 por cento das vendas totais de carros, segundo a IHS Automotive.

A Zenrin, na qual a Toyota possui participação de 7,5 por cento, conta nesse novo impulso como um motor de crescimento em um momento em que a concorrência reduz a receita de seus principais negócios, como serviços de mapas para smartphones e mapas de navegação para carros. A Zenrin registrou dois anos financeiros consecutivos de quedas nas vendas e no lucro operacional até março de 2015. As ações da empresa caíram 19 por cento neste ano, contra um declínio de 11 por cento do índice de referência Topix.

Tecnologias avançadas

"Não importa quão completa é sua base de dados de mapas atual, não é possível colocar tudo lá e as capacidades de aprendizagem profunda em tempo real são essenciais para a direção autônoma", disse Zhou Lei, sócio da Deloitte Tohmatsu Consulting em Tóquio. "Para competir com os rivais que surgem, especialmente estreantes como a Mobileye, a Zenrin também precisa de tecnologias avançadas de ciência da computação".

A Zenrin pretende desenvolver um sistema para produzir mapas tridimensionais automaticamente a partir dos conjuntos de dados gerados pelos veículos munidos com vários equipamentos de detecção. O objetivo é ter um sistema que será atualizado com informações frescas, segundo Tomoki Yamaguchi, porta-voz da produtora de mapas. A Zenrin, que está usando dados coletados por equipamentos de outras empresas, não forneceu mais detalhes sobre como planeja coletar informações em tempo real.

"Se usamos apenas um monitor para carros só conseguiremos obter as mesmas informações de todos os demais -- não temos nenhuma vantagem", disse Takayama. "Você ainda precisa do conhecimento para transformar os dados em mapas".

A corrida para desenvolver mapas para carros autônomos se intensificará à medida que mais empresas entrarem no jogo, segundo Zhou, da Deloitte.

"Um veículo de direção autônoma sem bons mapas é como um ser humano sem parte do cérebro -- não vai funcionar", disse Zhou. "É preciso fornecer ao carro toda a informação necessária para que ele trafegue de forma autônoma e o mapa é parte essencial disso".