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Carros autônomos reduzirão investimento em estradas, diz Google

Jeff Plungis

15/03/2016 17h36Atualizada em 15/03/2016 19h19

(Bloomberg) - Os carros autônomos poderiam revolucionar o transporte nos EUA a ponto de possibilitar que o governo invista menos em estradas, estacionamentos e sistemas de transporte público, dirá um executivo do Google aos senadores nesta terça-feira.

"O Congresso tem uma enorme oportunidade de ampliar esse campo ao possibilitar que o Departamento de Transporte dos EUA abra o caminho para o desenvolvimento dessa inovadora tecnologia de segurança", disse Chris Urmson, diretor de carros autônomos do Google, em uma declaração preparada para a audiência.

Os defensores dos carros autônomos afirmam que esses veículos poderiam liberar espaço em estradas e cidades através da posse compartilhada e dos serviços de transporte sob demanda. Menos carros estacionados é sinônimo de menos estacionamentos em cidades ávidas por espaço.

O Departamento de Transporte está tentando assumir o desafio de fomentar essa tecnologia. No dia 11 de março, ele divulgou um estudo que concluiu que as leis dos EUA impõem poucos obstáculos para a adoção da tecnologia de veículos autônomos, desde que os carros e caminhões preservem os formatos existentes que possibilitam que as pessoas assumam o volante.

O entusiasmo entre empresas automotivas e de tecnologia coincide com um momento em que as mortes nas estradas dos EUA estão aumentando. A Administração Nacional de Segurança no Trânsito em Estradas (NHTSA, na sigla em inglês) estima que o número de vítimas em 2015 tenha sido 10 por cento maior que no ano anterior, quando 32.675 pessoas morreram.

General Motors, Delphi Automotive e Lyft também participarão da audiência.

Sem volante

O Google expandiu a tecnologia de veículos autônomos ao implementar carros de teste sem volante nem pedal de freio. Esse tipo de formato é inconciliável com as regulamentações existentes para os veículos a motor, disse a NHTSA.

O governo deveria agir rapidamente para que os carros autônomos cheguem ao mercado, porque eles aumentarão a segurança nas estradas e possibilitarão reduzir os investimentos federais em vias, ônibus e trens, disse Urmson.

"Durante as próximas três décadas, o Departamento de Transporte dos EUA espera que os carros autônomos tenham um papel fundamental na redução dos custos operacionais do trânsito, aprimorando a eficiência das estradas e liberando a infraestrutura existente de estacionamento (que atualmente ocupa uma área total de 3.000 milhas quadradas, equivalentes a 7.769,96 quilômetros quadrados] nos EUA, similar à extensão de Connecticut)", disse Urmson.

Outra testemunha, Mary Cummings, da Universidade Duke, em Durham, na Carolina do Norte, alertará os parlamentares de que muito mais pesquisas, testes e liderança do governo federal são necessários antes que seja possível dar todo o controle aos robôs motoristas.

"Mas eu apoio com entusiasmo a pesquisa, o desenvolvimento e os testes dos veículos autônomos, porque as limitações humanas e a propensão à distração são ameaças reais na estrada", diz Cummings em sua declaração. "Sem dúvida sou menos otimista em relação ao que percebo como uma pressa para os sistemas de campo, que decididamente não estão preparados para uma implementação ampla e com certeza não estão prontos para tirar completamente os seres humanos do banco do motorista".