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Por 'brexit', corte nos juros fica mais perto no Reino Unido

Fergal O'Brien e Joshua Robinson

15/03/2016 17h42Atualizada em 15/03/2016 19h18

(Bloomberg) -- As chances de um corte nas taxas de juros do Reino Unido estão aumentando.

Os economistas participantes de uma pesquisa mensal da Bloomberg colocam a probabilidade de uma redução da taxa de referência do Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês) neste ano em 23%. Ainda se trata de um tiro no escuro, mas as probabilidades aumentaram em relação aos 10% de um mês atrás.

A mudança ocorre após declarações de representantes do BOE, inclusive do presidente Mark Carney, de que o Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês) tem espaço para uma nova redução se necessário.

A decisão sobre a próxima taxa sairá nesta semana e, embora os economistas digam que o Reino Unido não precisa de mais estímulos no momento, o grande risco no horizonte é o plebiscito sobre a União Europeia, em junho. Uma decisão pela saída do bloco na votação poderia deixar o Reino Unido em recessão e forçar o BOE a reagir.

"Uma decisão pelo 'brexit' poderia mudar o cenário e alterar o equilíbrio em favor da flexibilização, mas isto é algo que só conseguiremos avaliar apropriadamente após o plebiscito", disse Peter Dixon, economista do Commerzbank em Londres. "Enquanto o crescimento se mantiver e a inflação não se reverter, não creio que o MPC faça alguma coisa".

Orçamento

Contudo, mesmo excluindo o potencial da votação da UE de minar a confiança, a perspectiva diminuiu. O BOE reduziu suas projeções de crescimento em fevereiro e o setor de serviços, que responde pela maior fatia da economia, cresceu ao ritmo mais lento dos últimos três anos. A projeção é que o MPC mantenha sua taxa básica em uma baixa recorde de 0,5% na quinta-feira, mas o membro do comitê Gertjan Vlieghe disse que se as perspectivas piorarem ele consideraria votar pelo corte.

"A fraqueza mostrada pelas pesquisas recentes de atividade sugere que se discutirá um corte na taxa de juros", disse Samuel Tombs, economista da Pantheon Macroeconomics. Existe uma chance remota de que um membro vote pela flexibilização, mas eles provavelmente vão "reiterar que as taxas 'provavelmente' subirão nos próximos dois anos", disse ele.

A reunião do BOE coincide com a divulgação do orçamento anual pelo chanceler do Tesouro britânico, George Osborne, programada para quarta-feira. O esforço dele para cumprir o programa fiscal -- um superávit até 2020 -- fará com que o Reino Unido enfrente um aperto ainda maior nos gastos do governo nos próximos anos. Ele disse à BBC, no domingo, que o mundo é um "lugar mais incerto".

Os participantes da pesquisa da Bloomberg -- realizada entre 4 e 11 de março -- previram uma expansão econômica do Reino Unido de 2% neste ano, contra uma projeção de 2,2% no mês passado. Seu prognóstico para 2017 continua inalterado em 2,2%.

Aumenta a incerteza

Essas estimativas poderão mudar se os eleitores optarem por sair da União Europeia. Em uma pesquisa realizada em fevereiro os economistas disseram que isso aumentaria a probabilidade de uma recessão no Reino Unido para 40%.

"Um aumento agudo da incerteza prejudicaria a confiança empresarial e familiar, fazendo com que os investimentos e os gastos caiam", disse Kallum Pickering, economista do banco Berenberg em Londres, em nota na segunda-feira. Se o Reino Unido deixar a União Europeia, uma recessão seria possível, o desemprego aumentaria, o BOE relaxaria a política monetária e os déficits fiscais aumentariam, disse ele.

A redução nos juros neste ano poderá ser a visão minoritária entre os economistas, mas a inflação fraca do Reino Unido também indica que um aumento provavelmente seja algo distante. Os analistas adiaram o momento previsto para uma alta do quarto trimestre de 2016 para o primeiro trimestre de 2017.