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LafargeHolcim é assolada por saídas de executivos e ações caem

Alice Baghdjian

16/03/2016 09h14

(Bloomberg) -- Menos de um ano depois de as antes rivais francesa e suíça se combinarem e criarem a maior empresa de cimento do mundo, a LafargeHolcim está testando a paciência dos investidores com a queda do preço das ações, saídas de gestores e lucros que deverão decepcionar.

A empresa com sede em Zurique perdeu 40% de seu valor desde o início das negociações, em julho, com um desempenho muito pior do que o da HeidelbergCement, a número 2 da região, e o do Stoxx 600 Construction Materials Index.

O presidente do conselho, Wolfgang Reitzle, está deixando a empresa na mais recente de uma série de saídas recentes de executivos, em um momento em que o CEO Eric Olsen enfrenta dificuldades para unir duas culturas corporativas, equipes diferentes e operações de abrangência global para conseguir a todo custo as prometidas sinergias da fusão.

"As barreiras do acordo foram subestimadas", disse Vincent Kaufmann, CEO da assessoria de fundos de pensão suíça Ethos, que foi contrária à fusão no ano passado. "O desafio é integrar essas duas culturas tão diferentes".

A Lafarge e a Holcim se combinaram com a promessa de mais de US$ 1 bilhão em economias de custo anuais, que dariam a elas uma vantagem sobre as rivais depois que a recessão global corroeu a demanda por materiais de construção.

Em vez disso, o acordo foi atribulado desde o começo porque os investidores da Holcim se opuseram a algumas condições e surgiram guerras territoriais sobre posições importantes, deixando Olsen exposto como CEO. Desde então, a desaceleração na China e no Brasil e as vendas de ativos mais lentas que o esperado têm adiado os benefícios.

"O mercado não está comprando os executivos e as sinergias atuais", disse Kaufmann. "Não vemos de que forma o preço da ação se recuperará".

"Há muito potencial na fusão e temos um plano claro que compartilhamos com os investidores em 1º de dezembro do ano passado", disse o porta-voz da LafargeHolcim, Peter Stopfer, por email. "Estamos plenamente no caminho com nosso plano e oferecemos uma atualização" na divulgação dos lucros, na quinta-feira.

A queda do preço das ações "foi além até do que imaginamos que aconteceria", escreveu Phil Roseberg, analista da Bernstein, em nota no dia 11 de março. Os resultados de 2015 da fabricante de cimento provavelmente irão "decepcionar".

Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização para 2015 deverão ser de 5,73 bilhões de francos suíços, segundo a média das projeções dos analistas consultados pela Bloomberg.

O resultado marcaria uma queda em relação ao Ebitda operacional pro-forma de 6,5 bilhões de francos suíços do ano anterior, ajustado pelos custos da fusão e da reestruturação.

Menos sinergias

Contrastando com a queda de 40% das ações da LafargeHolcim desde julho, as ações da HeidelbergCement tiveram um declínio de 1,5% e o Stoxx 600 Construction Materials Index caiu 5,3%.

A HeidelbergCement também deverá divulgar seu relatório na quinta-feira após elevar, no mês passado, uma previsão de economia com a aquisição da Italcementi SpA em 2015.

Os analistas da Bernstein reduziram suas projeções para as economias da LafargeHolcim com o Ebitda para 500 milhões de francos suíços até o fim de 2019, contra 660 milhões de francos anteriormente. Isso é cerca de metade do alvo da LafargeHolcim e demoraria dois anos a mais do que o prazo que a empresa prometeu para ser atingido.

A fabricante de cimento sofreu atrasos nas vendas de ativos, inclusive na Índia, onde precisa desinvestir um sexto de sua capacidade por razões antimonopólicas. A empresa tem uma meta de vender 3,5 bilhões de francos suíços em ativos neste ano em meio a uma desaceleração da construção na China e no Brasil.

"A integração está sendo dificultada pelas condições adversas do mercado e pela rotatividade nos cargos de gestão em alguns dos principais mercados da LafargeHolcim", disse Roseberg.