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Cinco coisas que vão dar o que falar hoje

Lorcan Roche Kelly e Luke Kawa

17/03/2016 11h28Atualizada em 17/03/2016 12h14

(Bloomberg) - Os mercados se recuperaram depois da decisão do Fed, outros bancos centrais da Europa divulgarão suas decisões hoje e a política brasileira preocupa os investidores. Eis alguns dos assuntos que vão dar o que falar nos mercados nesta manhã.

Efeitos do Fed

Os mercados globais estão reagindo à decisão tomada pelo Federal Reserve (Fed) ontem de "esperar", que surpreendeu por seu caráter dovish. Uma queda do dólar americano está impulsionando as commodities. O MSCI Asia Pacific Index deu um salto de 2 por cento ontem à noite e fechou no nível mais elevado desde o começo de janeiro. Na Europa, o Stoxx 600 Index recuava 1,5 por cento às 6h45, horário de Nova York, porque uma recuperação das empresas mineradoras está sendo mais que compensada pela fraqueza generalizada e por dificuldades particulares entre os bancos. O dólar ronda o piso em cinco meses enquanto os traders digerem o fato de o Fed ter adiado o caminho projetado para os aumentos das taxas de juros. O ouro subiu. A adrenalina das bolsas dos EUA também parece estar diminuindo, já que os contratos de futuros do S&P 500 estavam no vermelho antes da abertura da sessão às 6h45, horário de Nova York.

Bancos centrais europeus

O Banco Nacional da Suíça (SNB, na sigla em inglês), o banco central da Noruega e o Banco da Inglaterra atualizarão hoje suas posturas em matéria de política monetária. Já nesta manhã, o SNB anunciou que manterá as taxas, mas disse que o franco suíço continua muito supervalorizado. Conforme previsto, o banco central norueguês diminuiu as taxas de juros em 25 pontos-base, para 0,5 por cento, e sinalizou que está preparado para aumentar a flexibilização a fim de evitar uma recessão. Projeta-se que o Banco da Inglaterra vai anunciar às 12 horas, horário de Londres, que manterá as taxas no mesmo piso recorde mantido durante os últimos sete anos.

Brasil

Os últimos acontecimentos na crise política do Brasil estão aturdindo os investidores. A motivação da presidente Dilma Rousseff para trazer Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao governo como ministro-chefe da Casa Civil ficou exposta depois que grampos telefônicos divulgados por um juiz federal sugeriram, segundo os críticos dela, que ela está tentando dar um escudo jurídico ao ex-presidente. Anteriormente, Dilma tinha indicado que Lula foi nomeado na tentativa de fortalecer o governo. As bolsas brasileiras e o real operavam em território negativo na quarta-feira antes da decisão do Fed.

Divórcio de colossos do petróleo

A Royal Dutch Shell e a Saudi Arabian Oil Co., a empresa mais valiosa do mundo, dividirão os ativos e até mesmo o nome da marca de uma joint venture nos EUA. A Saudi Aramco, que está avaliando uma possível abertura de capital, reterá o nome "Motiva", uma licença exclusiva para vender combustível com a marca Shell em partes dos EUA e também ficará com a maior refinaria de petróleo no país. Por sua vez, a Shell reterá os direitos para mercados com marcas em outras partes dos EUA, duas refinarias de petróleo e nove terminais de combustível. Um analista disse à Bloomberg que esta medida facilitaria para a Saudi Aramco a venda de parte de seus ativos de refino em uma abertura de capital, caso a empresa opte por seguir esse caminho. Outro disse à Bloomberg que a decisão da Shell foi motivada pelo desejo de proteger o dividendo em meio aos preços ultrabaixos do petróleo.

Cenas do próximo capítulo

Não faltam dados econômicos dos EUA na lista desta manhã. Projeta-se que o balanço da conta-corrente para o quarto trimestre, cuja publicação está agendada para às 8h30, horário de Nova York, mostrará um déficit de US$ 118 bilhões. Simultaneamente, antecipa-se que os pedidos de subsídio por desemprego para a semana terminada no dia 12 de março subam um pouco, dos 259.000 registrados no relatório anterior para 268.000.

Após a publicação na terça-feira de um informe de produção fabril do estado de Nova York com resultados impressionantes, a leitura da Perspectiva de Negócios do Fed de Filadélfia para março (agendada para às 8h30, horário de Nova York) mostrará se outras regiões dos EUA também estão ganhando impulso econômico. A mediana das estimativas entre os analistas consultados pela Bloomberg é que o índice aumente de -2,8 para -1,5.

Às 9h45 chega a leitura semanal do Bloomberg U.S. Consumer Comfort, que têm se mantido em grande parte constante no meio da casa dos quarenta pontos durante 2016.

A publicação de um dos indicadores favoritos de Janet Yellen para o mercado de trabalho, a Pesquisa de Vagas de Emprego e Rotação de Empregados, está marcada para às 10 horas, horário de Nova York. Os economistas projetam que o total de vagas tenha sido de 5,5 milhões em janeiro, um pouco menos que as 5,6 milhões da leitura anterior.

Enquanto isso, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, dará uma entrevista exclusiva à Bloomberg TV em Nova York. A entrevista começa às 9 horas, horário de Nova York.