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BC da Argentina intervém pouco diante de oscilação do peso

Carolina Millan

21/03/2016 15h03

(Bloomberg) -- O peso da Argentina é a moeda mais volátil do mundo, e o Banco Central não vê problema nisso.

Grandes oscilações normalmente não são algo que os bancos centrais gostem. Autoridades ao redor do mundo têm em vigor procedimentos para afastar as rápidas subidas e descidas que tornam difícil o planejamento para as empresas e deixam os poupadores nervosos sobre se devem manter a moeda nacional.

Mas na Argentina a volatilidade é o necessário após uma década em que o preço só se moveu em uma direção: um enfraquecimento lento e constante em relação ao dólar. Depois que o presidente Mauricio Macri assumiu o cargo em dezembro, desvalorizou o peso e permitiu o acesso livre ao mercado pela primeira vez em quatro anos, o seu banco central não tem atuado muito. As autoridades querem anular qualquer noção de que a trajetória é uma conclusão precipitada que deveria definir as expectativas para a inflação, estimada em cerca de 30 por cento.

“É um mercado mais desafiador do que antes, sem dúvida”, disse Cristian Gardel, CEO da corretora Pampa Trading, em Nova York. “Com a volatilidade agora é muito mais interessante para traders”.

Pares da Argentina

Os pares da Argentina, do México ao Peru, estão tentando combater a turbulência de suas moedas depois de um início de ano selvagem para os mercados emergentes. As moedas latino-americanas, lideradas pelo peso argentino, oscilaram mais nos últimos 180 dias do que em qualquer outro período desde a crise financeira global de 2008 e 2009. O banco central do Peru, que passou anos tentando valorizar sua moeda, na semana passada fez uma pesquisa entre traders sobre uma intervenção para enfraquecer o sol. No mês passado, a Col�mbia mudou para um gatilho mais sensível para a intervenção e o México vendeu dólares.

Enquanto os maiores bancos do mundo reduziram o número de funcionários em seus departamentos de câmbio em mais de um quarto desde 2010, na Argentina a demanda é crescente, de acordo com Gardel. Segundo ele, as corretoras estão particularmente interessadas em traders de futuros de moedas. O peso ganhou 8,2 por cento este mês, chegando a 14,6 por dólar às 9h52 em Nova York, com o yield em notas do banco central subindo até 38 por cento. A moeda oscilou entre o ponto mais forte de 12,72 por dólar até o mais fraco de 15,95 desde a desvalorização.

Volatilidade crescente

A volatilidade implícita de três meses, que mede as expectativas das flutuações de preços no futuro, mais do que duplicou desde que Macri assumiu o cargo chegando a 30 por cento, o mais elevado entre cerca de 40 moedas acompanhadas no mundo todo pela Bloomberg. Nessas oscilações, o banco central interveio poucas vezes, virando as costas para uma gestão firme da moeda.

A remoção dos controles cambiais foi uma das principais mudanças na política de Macri destinadas a dar um salto de crescimento e atrair investimentos estrangeiros para a segunda maior economia da América do Sul. Em apenas três meses no cargo, ele removeu a maioria dos impostos de exportação, reduziu gastos e chegou a um acordo importante com os credores holdout que sobravam do calote do país em 2001.

Restrições à compra de dólares que existiam antes de Macri assumir o cargo levaram os argentinos a recorrer aos mercados não regulamentados, onde o peso era até 40 por cento mais fraco do que no oficial. O peso caiu 27 por cento em seu primeiro dia sem controles e desde então enfraqueceu mais 9,2 por cento.

Combater a inflação

Agora, o governo de Macri deve combater a inflação. As autoridades estão convencidas de que um elemento chave para zerar as expectativas é desafiar a suposição argentina de que o peso está sempre enfraquecendo, alimentando aumentos de preços.

O presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger, disse em 26 de fevereiro que o banco central não tem metas de níveis cambiais.

Fluxos de dólar

É provável que o peso se valorize em abril quando os exportadores de grãos vendem a safra mais recente de soja, aumentando o fluxo de dólar para o país, disse Gardel. A moeda argentina poderia ter outro impulso se o governo for bem sucedido em seu objetivo de levantar cerca de US$ 12 bilhões em mercados de dívida no exterior para resolver a disputa com os holdouts, disse ele.

Título em inglês: Unstable Argentine Peso Is Just What the Central Bank Ordered

Para entrar em contato com o repórter: Carolina Millan em Buenos Aires, cmillanronch@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

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