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Petróleo se recupera e cai necessidade armazenamento em navios

Grant Smith e Bill Lehane

21/03/2016 11h07

(Bloomberg) -- Uma das luzes de alerta sobre o excedente de petróleo deixou de piscar, em mais um sinal de que os mercados internacionais estão finalmente se recuperando.

Há apenas um mês, os traders de petróleo estavam estudando manter o petróleo não desejado a bordo de navios, enquanto o CEO da BP, Bob Dudley, fazia piada dizendo que poderia ser necessário guardar o excesso em piscinas.

Contudo, em vez de oferecer lucros mais generosos, como em excedentes anteriores do mercado, a estocagem de barris em navios resultaria em prejuízo financeiro, assim como ocorreu nos últimos seis meses, em um sinal de que a abundância atual pode não ser tão grande quanto se temia.

O declínio da produção de petróleo dos EUA e os distúrbios no Iraque e na Nigéria, membros da Opep, ajudaram a recuperar o preço do barril para US$ 40, levando a Agência Internacional de Energia a concluir que a pior parte da queda já terminou.

Contrariando as expectativas de que seria necessária a estocagem em navios-petroleiros, a armazenagem onshore não foi exaurida, segundo Torbjoern Kjus, analista da DNA ASA em Oslo.

"Há um volume menor sendo transferido para armazenagem flutuante em relação aos últimos meses", disse Kjus. "Os fundamentos estão melhorando gradualmente. O pior da queda do preço ocorreu apenas pelo humor".

Uma trader de petróleo perderia cerca de US$ 7,6 milhões se quisesse armazenar 2 milhões de barris no mar durante seis meses, mais do que o dobro do prejuízo que teria em fevereiro, segundo dados compilados pela Bloomberg com a E.A. Gibson Shipbrokers e com bolsas de valores de contratos futuros de petróleo.

Os prejuízos com a armazenagem refletem, em parte, o fato de a contratação de um navio-petroleiro ter se tornado mais cara em meio à demanda robusta por petróleo. As tarifas diárias na rota de referência do setor -- da Arábia Saudita para o Japão -- avançaram para US$ 66.641, segundo dados da Baltic Exchange, em Londres.

Isso é cerca de 30% mais do que um mês antes. Em termos de dólares por barril, o custo para uso de navios para armazenagem durante seis meses avançou para US$ 6,80, contra US$ 6,16 ao longo do mês, estima a E.A. Gibson.

Contudo, os dados econômicos também dão uma visão do mercado de petróleo em si. A armazenagem de petróleo no mar se torna mais rentável quando a diferença entre o preço atual e o de longo prazo, conhecida como contango, é suficientemente ampla para cobrir o custo de contratação de um navio-petroleiro.

A maior diferença entre o momento atual e um mês atrás é a oferta de petróleo, que está inesperadamente controlada. Um duto que liga a parte norte do Iraque ao Mar Mediterrâneo foi interrompido em meados de fevereiro e um duto da Nigéria foi alvo de sabotagem.

A produção de petróleo dos EUA poderá cair para menos de 9 milhões de barris por dia pela primeira vez desde novembro de 2014.

Apenas nesses três lugares, a produção combinada foi restringida em cerca de 1 milhão de barris por dia na comparação com um mês antes, segundo dados compilados pela Bloomberg. Isso é cerca de metade do excedente global. Desde então, foi iniciada a retomada da produção do norte do Iraque.

Traders como Vitol, Koch Supply & Trading LP e Glencore, além dos braços de trading interno da BP e da Royal Dutch Shell, lucraram coletivamente bilhões de dólares de 2008 a 2009 estocando petróleo no mar.

No pico da onda de armazenagem flutuante os ancoradouros protegidos do Mar do Norte, do Golfo Pérsico, do Estreito de Cingapura e da costa da África do Sul abrigaram, cada um, dezenas de superpetroleiros.

A redução do risco de esgotamento dos tanques de armazenagem deu base à visão do Goldman Sachs de que a pior parte da queda dos preços do petróleo já passou.

"A probabilidade de haver um problema de contenção, de estourar o limite de armazenagem, está começando a cair", disse Jeff Currie, chefe de pesquisa de commodities do Goldman Sachs em Nova York, em entrevista à Bloomberg Television.