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Traders de ETF veem menor volatilidade nos próximos meses

Sangwon Yoon e Chiara Vasarri

22/03/2016 14h25

(Bloomberg) -- Os investidores estão apostando em dias mais calmos para as ações brasileiras, de acordo com a negociação de opções do maior exchange-traded fund que segue ações do país.

Uma medida de volatilidade para o iShares MSCI Brazil Capped ETF atingiu o seu nível mais alto desde o final de 2014 contra uma que segue o mercado de ações dos EUA. Mas os traders veem a turbulência como temporária, apostando que a volatilidade vai cair em 9 por cento nos próximos três meses em meio a especulações de que uma mudança de governo possa abrir o caminho para reformas necessárias.

Os investidores tem sido atingidos pelas maiores oscilações de preços no ETF desde o final de 2015 com as preocupações sobre a pior crise econômica do Brasil em um século substituídas pelo otimismo de que um impeachment da presidente Dilma Rousseff colocaria fim ao impasse político que tem prejudicado o crescimento.

"É seguro dizer que a administração Dilma está acabada e uma nova era política é iminente no Brasil", disse Mark Mobius, presidente executivo do conselho da Templeton Emerging Markets Group, por e-mail na segunda-feira. "Haverá muitas mudanças no Brasil, e que provavelmente serão boas para a economia e os negócios, mas antes disso haverá alguma dor."

O ETF de US$ 2,7 bilhões, que acompanha o índice MSCI Brazil 25/50, tem sido um dos fundos mais erráticos deste ano, de acordo com a volatilidade histórica sobre os 400 maiores exchange-traded funds negociados em bolsa nos EUA. O fundo caiu para o menor patamar em mais de 10 anos em janeiro em meio a uma queda nos preços das commodities e as preocupações com o crescimento global. O ETF se recuperou 55 por cento desde então seguindo a alta do petróleo e comentários dovish do Fed. A investigação de corrupção no Brasil ajudou a alimentar altas nas ações e moeda do país.

O custo de opções de três meses para proteção contra oscilações de preços no fundo iShares Brazil está perto do mais baixo nível em 16 meses em relação aos contratos de 30 dias, indicando que os traders estão mais otimistas sobre o mercado de ações do país no período até junho do que eles estão sobre o impacto da incerteza política durante o próximo mês. Enquanto apostas de volatilidade de curto prazo diminuíram nos EUA em meio à recuperação global, que começou em fevereiro, elas ainda são elevadas no Brasil.

A pressão pelo impeachment de Dilma foi reavivada depois que o ex-presidente Lula foi levado para depor no início deste mês como parte da investigação sobre corrupção. Enquanto há incerteza sobre como a investigação irá se expandir com o avanço do processo de impeachment, uma mudança de regime pode abrir caminho para um governo melhor equipado para fortalecer as contas fiscais e tirar o país da recessão.

O deputado Eduardo Cunha disse na semana passada que a Câmara pode votar o impeachment de Dilma em cerca de um mês, reduzindo sua previsão anterior de 45 dias.

"Os acontecimentos políticos estão causando percepções de risco ou maior volatilidade no curto prazo", disse Frederic Ruffy, estrategista sênior da Trade Alert, com sede em Nova York, por e-mail.