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CEO do Credit Suisse se surpreende com riscos, corta empregos

Jeffrey Vögeli e Richard Partington

23/03/2016 13h20

(Bloomberg) -- O CEO do Credit Suisse Group, Tidjane Thiam, disse que ele foi pego de surpresa por um acúmulo de posições de negociação ilíquidas que provavelmente irá desencadear uma perda no primeiro trimestre, e se comprometeu a fazer cortes de custos mais profundos.

A unidade de mercados globais, que abriga a negociação de títulos, vai perder dinheiro no trimestre com a queda de até 45 por cento da receita na comparação anual, disse o Credit Suisse na quarta-feira. Créditos inadimplentes, empréstimos alavancados e produtos securitizados desencadearam US$ 258 milhões em baixas contábeis no período, com o CEO dizendo que algumas das posições foram construídas sem o seu conhecimento.

"Ele dizer que ficou surpreso com o tamanho da posição claramente não é bom", disse Laurent Frings, que ajuda a administrar cerca de US$ 428 bilhões como co-chefe de pesquisa de crédito europeu na Aberdeen Asset Management em Londres. "Ele destaca, no melhor dos casos, falhas de controle históricos e não é bom para a confiança."

Desde que assumiu em julho, Thiam, de 53 anos, se comprometeu a concentrar-se na gestão de riquezas encolhendo os negócios de títulos mais arriscados, que ajudaram a contribuir para a maior perda do banco em sete anos no quarto trimestre.

"Mudança cultural"

"Não era claro para mim, não era claro para o meu CFO e para muitas pessoas dentro do banco", quando a empresa apresentou uma atualização de estratégia em outubro, disse Thiam disse em entrevista à Francine Lacqua da Bloomberg Television, ao comentar sobre títulos de dívida com problemas. "É preciso haver uma mudança cultural, porque isso é completamente inaceitável", acrescentando que tinha havido "consequências" para alguns empregados.

Em outubro, Thiam defendeu o crédito do banco e unidades de produtos securitizados que, segundo ele, são vistas de forma negativa como "patinhos feios" porque exigem muito capital sob as novas regras introduzidas desde a crise financeira. O CEO disse na época que o encolhimento dos negócios poderia criar mais problemas e que ele não se importava em alocar capital para as unidades se elas gerassem retornos aceitáveis, como fizeram em 2014.

O novo CEO não conseguiu convencer os investidores, com a empresa perdendo cerca de 40 por cento do seu valor de mercado desde que a sua revisão foi anunciada em outubro. As ações caíram para o menor desde 1989 no mês passado e já caíram 32 por cento este ano.

Sob o segundo plano de reestruturação do Thiam, o banco pretende cortar ativos ponderados pelo risco no negócio de mercados globais em mais 20 por cento, para cerca de US$ 60 bilhões este ano. O Credit Suisse também anunciou 2.000 cortes adicionais de empregos na unidade, levando a redução total de empregos em todo o banco para 6.000 este ano.

O Credit Suisse espera que os custos da reestruturação cheguem a 1 bilhão de francos este ano, antes de cair para 600 milhões em 2017. O banco tem como meta a redução de custos líquidos de pelo menos 3 bilhões de francos em 2018, acima de 2 bilhões de francos, enquanto os custos em mercados globais, liderados por Tim O'Hara, serão cortados para 5,4 bilhões de francos de 6,6 bilhões de francos no final do ano passado.