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Perspectiva ruim do BCE para inflação deverá se confirmar

Jeanna Smialek

29/03/2016 12h12

(Bloomberg) -- Na preparação para o aumento das compras de dívidas, a partir de sexta-feira, em seu maior ataque aos riscos de deflação da zona do euro, Mario Draghi em breve terá uma nova noção da magnitude do desafio.

Os preços ao consumidor na zona do euro provavelmente caíram pelo segundo mês seguido em março e a taxa de desemprego permaneceu em dois dígitos em fevereiro, projetam economistas em pesquisas da Bloomberg antes da divulgação de dados desta semana. Outro relatório deverá apontar que a confiança econômica permaneceu inalterada em março no bloco que abrange 19 países.

Os estrategistas de política monetária, liderados pelo presidente do Banco Central Europeu, estão ampliando as compras de ativos mensais de 60 bilhões de euros para 80 bilhões de euros (US$ 89 bilhões) e introduzindo novas medidas para elevar a inflação, que não atinge a meta de cerca de 2 por cento desde 2013. A economia está crescendo, mas sem ganhar impulso, e o declínio lento do desemprego não tem sido suficiente para gerar uma demanda forte o bastante para compensar a queda dos custos do petróleo e impulsionar aumentos nos preços.

"Os dados confirmarão que o BCE fez bem em agir e também que poderá até mesmo precisar fazer mais no futuro", disse Nick Kounis, economista do ABN Amro Bank em Amsterdã. "As pressões inflacionárias subjacentes são extremamente frágeis e estão indo na direção errada".

Draghi disse neste mês que as taxas de inflação negativas podem ser "inevitáveis" nos próximos meses e que é "crucial evitar efeitos secundários". Essa preocupação levou o Conselho Governativo do BCE a reduzir sua taxa de depósito no dia 10 de março e adicionar uma nova série de empréstimos de longo prazo aos bancos, que começará em junho. A expansão da flexibilização quantitativa começará no dia 1º de abril.

"A janela de ação era agora. Tivemos um início de ano fraco e estamos vendo isso passar para os números", disse Anatoli Annenkov, economista sênior do Société Générale em Londres. Ele não espera nenhuma grande ação adicional do BCE neste ano porque a cúpula do banco central está esperando para ver como suas novas ações chegam à economia.

Os números de quarta-feira poderão dar uma ideia inicial de como as empresas e as famílias estão reagindo ao anúncio do estímulo. A confiança econômica provavelmente permaneceu estável em março, segundo projeção dos economistas, o que a manteria no nível mais baixo desde junho. Uma estimativa inicial publicada em 21 de março mostrou que a confiança do consumidor atingiu o nível mais baixo desde dezembro de 2014.

Crédito fraco

Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que o crescimento da chamada oferta de dinheiro M3 se manteve estável em 5 por cento e que o crédito bancário na zona do euro para empresas não financeiras acelerou, subindo 0,9 por cento no período de 12 meses até fevereiro, contra 0,6 por cento no período até janeiro. Draghi disse no início deste mês que o crescimento dos empréstimos "ainda está muito baixo" e que o novo programa do BCE visa a oferecer segurança de financiamento aos bancos para ajudar a aumentar o crédito para as empresas.

"A chave para que o BCE coloque a inflação novamente na meta é que precisamos ver o crescimento realmente aumentar e a recuperação levá-lo ao próximo nível", disse James Nixon, economista da Oxford Economics em Londres. "É o setor corporativo, realmente, que está sentado com as mãos nos bolsos".

As contratações se mantiveram, mesmo em meio ao investimento fraco, diminuindo lentamente o desemprego. A desocupação na Alemanha, maior economia da zona do euro, permaneceu inalterada em 6,2 por cento em março, segundo projeção dos economistas sobre o relatório que será divulgado na quinta-feira. Em toda a zona do euro, o desemprego em fevereiro provavelmente permaneceu em 10,3 por cento. A Eurostat divulgará os números regionais na sexta-feira.

Título em inglês: ECB's Gloomy Price Outlook to Be Confirmed Just as QE Grows

--Com a colaboração de Mark Evans Para entrar em contato com o repórter: Jeanna Smialek em Frankfurt, jsmialek1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

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