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Escassez de bonds é sinal de que Draghi sacudirá mercado europeu

Lucy Meakin

30/03/2016 11h56

(Bloomberg) -- O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, se prepara para aumentar e ampliar seu programa de compra de bonds. Encolhido, o mercado pode estar prestes a levar um choque.

O BCE expandirá seu plano de aquisição de ativos em 20 bilhões de euros (US$ 22,7 bilhões) por mês no início de abril, mas as dívidas corporativas serão incluídas apenas no fim do trimestre. Com isso, os investidores enfrentarão uma demanda ainda mais elevada pelos bonds soberanos. A oferta será incapaz de acompanhar o ritmo e alguns dos maiores bancos da Europa preveem que os yields atingirão ainda mais baixas recorde.

"Todo esse montante irá para os covered bonds, os títulos soberanos e os de agências governamentais", disse Vincent Chaigneau, chefe global de estratégia para taxas e câmbio do Société Générale em Londres, em entrevista ao programa "On The Move" com Guy Johnson na Bloomberg Television. "Isso provocará um choque na oferta e na procura na Europa".

A perspectiva de uma generosidade maior do BCE elevou ainda mais os bonds soberanos. O yield sobre os bonds alemães de 10 anos caminhava para sua maior queda trimestral em quase cinco anos. Eles estavam em 0,15 por cento às 13h08, horário de Londres, na quarta-feira, cerca de metade do nível de quando o BCE anunciou o aumento ao seu programa de flexibilização quantitativa, em 10 de março.

O banco francês Société Générale prevê que o yield do bund atingirá não apenas a mínima recorde de 0,049 por cento registrada em abril de 2015: chegará a 0,05 por cento negativo até o fim do próximo trimestre. A projeção do banco está entre as mais baixas de uma pesquisa da Bloomberg, que registrou uma estimativa mediana de 0,4 por cento.

A queda nos yields não está restrita à Alemanha. O yield dos bonds italianos de 10 anos atingiu a maior baixa em 12 meses nesta quarta-feira, de 1,20 por cento, enquanto o rendimento das notas de cinco anos da Espanha chegou a uma mínima recorde de 0,309 por cento.

Meta de inflação

O BCE reduziu suas principais taxas de juros, anunciou o aumento da flexibilização quantitativa e revelou um novo programa de empréstimos direcionados no início deste mês, ao mesmo tempo ampliando os esforços para elevar a inflação no bloco cambial formado por 19 países.

Na quinta-feira, um relatório mostrará que os preços ao consumidor no bloco provavelmente caíram pelo segundo mês seguido em março, de acordo com economistas consultados pela Bloomberg. A taxa não atinge a meta de cerca de 2 por cento desde 2013.

O BCE disse estar confiante de que tem um universo "adequado" de ativos para comprar. Mas alguns investidores estão céticos, mesmo quando as aquisições de dívidas corporativas começarem, de que o BCE será capaz de comprar quantidades suficientes para aliviar a pressão sobre os títulos soberanos.

Peter Schaffrik, chefe de estratégia de taxas europeias do Royal Bank of Canada em Londres, disse que o consenso é que as autoridades serão capazes de comprar cerca de 5 bilhões de euros de bonds corporativos, deixando a cada mês outros 15 bilhões de euros em títulos soberanos e de agências governamentais sem serem adquiridos.

"Eles precisam comprar mais dívidas soberanas", disse Schaffrik. "Sendo realistas, quanto eles podem comprar no mercado corporativo por mês?".

Peso sobre yields

O BCE também começou a comprar bonds soberanos regionais, segundo uma lista do banco central alemão de títulos adquiridos por meio do programa de flexibilização quantitativa e colocados à disposição para empréstimos.

Mesmo assim, a compra é limitada. Os cerca de 9 bilhões de euros em dívidas dos estados federados alemães que estão na lista equivalem a menos de 1 por cento do total de bonds do setor público alemão elegíveis para empréstimos, segundo o analista Wilson Chin, do HSBC.

Em meio à crescente demanda dos bancos centrais, analistas do BNP Paribas preveem que os resgates de bonds excederão a oferta de novos títulos na zona do euro em 123 bilhões de euros no mês que vem e em 34,4 bilhões de euros apenas na Alemanha.

"Trata-se de um grande peso para os yields", disse Patrick Jacq, estrategista sênior de renda fixa do BNP Paribas em Paris. "Poderia haver alguma concessão antes dos leilões, mas a demanda pelo papel será forte e, depois dos leilões, o ambiente se tornará muito favorável para o mercado de bonds soberanos".

Título em inglês: Europe's Bond Shortage Means Draghi Is About to Shock the Market

--Com a colaboração de Alastair Marsh Anchalee Worrachate e Paul Gordon Para entrar em contato com o repórter: Lucy Meakin em Londres, lmeakin1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

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