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Opinião: A cura do câncer está ao alcance

Michael R. Bloomberg e Joe Biden

31/03/2016 09h30

(Bloomberg) -- Uma das palavras mais assustadoras que um paciente pode ouvir de um médico é "câncer". Sabemos pela experiência de nossas famílias e amigos, e dos milhões de norte-americanos que ouvem diretamente de seus médicos a cada ano.

No último Estado da União do presidente Barack Obama, ele comparou o esforço necessário para erradicar o câncer a uma "Viagem à Lua", citando a criatividade e as conquistas científicas norte-americanas que enviaram a humanidade à lua. Acreditamos que é hora de um compromisso nacional total e completo para livrar o mundo desta doença, porque a verdade é que acabar com o câncer como conhecemos está finalmente ao nosso alcance.

Um elemento-chave da luta contra o câncer é incentivar uma maior cooperação entre o governo e o setor privado. Reconhecemos que apesar de o governo dos EUA ter enormes recursos à sua disposição, também sabemos que boa parte do conhecimento está fora do governo, dentro da comunidade médica e de investigação privada. Há poucas dúvidas de que este será o local dos próximos grandes avanços no tratamento do câncer. Sabemos isso porque vimos nos melhores centros de pesquisa de câncer do mundo espalhados pelos EUA, liderados pelo melhores médicos, pesquisadores e filantropos do mundo - muitos dos quais conhecemos nos últimos meses.

Para esse fim, e em apoio ao esforço contra o câncer, estamos felizes pois a Universidade Johns Hopkins vai criar o Bloomberg-Kimmel Institute for Cancer Immunotherapy, graças a doações privadas de US$ 125 milhões. Este novo instituto vai avançar o trabalho inovador em imunoterapia da escola, uma das vias mais promissoras de pesquisa hoje em dia.

Eis o porquê: o câncer envolve o crescimento descontrolado das nossas células. As células cancerosas cooptam os processos das células normais, utilizando-as para crescer, e se esconder da detecção pelo sistema imunológico. A imunoterapia tenta reorientar o sistema imunológico altamente individualizado dos pacientes para melhor detectar e destruir as células cancerosas.

Liderados pelo Dr. Drew Pardoll e financiado em parceria com o filantropo Sidney Kimmel, o instituto vai apoiar os mesmos cientistas que realizaram alguns dos primeiros ensaios clínicos de agentes de imunoterapia conhecidos como inibidores do bloqueio de ponto de controle. Esses agentes interferem com moléculas que blindam as células tumorais do sistema imunológico do corpo. Na verdade, dois desses inibidores já foram aprovados pelo FDA para uso contra câncer de pulmão e melanoma, e são promissores em quase todos os tipos de câncer.

Descobertas como estes inibidores são o que acabarão tornando possível curar casos de câncer insolúveis há apenas alguns anos. Sabemos que não existe nenhuma bala de prata, e ninguém espera que isso aconteça da noite para o dia. Mas a verdade é que por causa dos avanços incríveis em ciência e tecnologia nos últimos 10 anos, estamos muito mais próximos de grandes avanços do que muitas pessoas imaginam.

Com as parcerias certas, podemos reforçar o trabalho incrível que já está ocorrendo entre os imunologistas, geneticistas e outros cientistas com novas inovações do setor de tecnologia. Recentemente, toda uma indústria surgiu com o poder de processar a informação médica e científica em grande escala. Este poder de computação já está permitindo que os pesquisadores acelerem seu progresso como nunca antes. Ao agregar grandes dados de estudos de câncer em um local central que é acessível aos cientistas, pesquisadores e médicos, podemos acelerar ainda mais os avanços na investigação.

Com o esforço contra o câncer e parcerias público-privadas, não estamos tentando fazer mudanças incrementais. Estamos querendo dar saltos quânticos. Nosso objetivo é conseguir o avanço de uma década nos próximos cinco anos. E com novas instituições trabalhando em conjunto e novos recursos dedicados ao problema, sabemos que podemos finalmente ganhar de uma doença que já roubou muito talento e amor do mundo.

A missão original para a lua foi uma iniciativa liderada, dirigida e financiada pelo governo. O esforço contra o câncer vai ser uma verdadeira parceria entre o governo, o setor privado, a academia e a comunidade filantrópica. Tem o potencial para salvar milhões de vidas.

Pode vir a ser um modelo de como parcerias público-privadas podem superar até mesmo os desafios mais difíceis. E poderia transformar o câncer de uma sentença de morte em uma doença crônica, administrável - ou, em muitos casos, curável - para milhões de pessoas em todo o mundo.